Em branco

vivo atrasada.
foi o café preto que deixei cair
hoje mais cedo;
os acordes mal feitos que esqueci
de aperfeiçoar;
os coros que ouço toda hora,
mas que nunca vou efetivamente escutar.

é a pressa de ir,
corro pra tentar sentir,
forço sorrir,
queria conseguir.

almejo, meu coração lateja.
mais cinco minutos foliando
essas páginas em branco e eu
te juro, que arrumo os lençóis brancos
que nós bagunçamos naquele 11 de junho.

a chuva apaga meu cigarro mal fumado,
não consegui concretizar um sequer;
esqueci de te dar beijo molhado ontem,
perdi-me nas idealizações,
lá se vai mais uma pétala de “mal-me-quer”.

finalmente, cheguei.
o vento bagunça meu cabelo,
meu lábio vermelho treme.
olho em volta:
pessoas vazias.
olho pra dentro:
vazia.
sou só mais uma esperando o
ônibus chegar nessa
chuva seca que é
viver.

-m.f.