Resenha: “O Lobo Atrás da Porta”, de Fernando Coimbra (2013)

Nunca fui exatamente um fã do nosso cinema nacional, embora tente sempre acompanhar as novidades que lançam por aí — e ultimamente, os nomes que surgem na área. E ouvi muitos elogios ao diretor e roteirista Fernando Coimbra, por seu filme “O Lobo Atrás da Porta”.

Realmente não me decepcionei, é um excelente filme, e Coimbra demonstra ser um roteirista dos bons, daquele que brinca com as reações dos espectadores com cortes, fotografia e inclusive simples traquejos de seus personagens, sejam secundários e principais, dentro do enredo da investigação de uma menina sequestrada, em cima dos depoimentos dos pais (interpretados por Milhem Cortaz e Fabiula Nascimento) da menina, e a amante do pai (interpretada pela Leandra Leal).

O filme mostra, dentro dessa investigação, todo o jogo sentimental, emocional e (ir)racional que cada ser humano apresenta em suas opções, relações e reações, e os atores dentro dessa proposta vão se revelando conforme os depoimentos avançam e se aprofundam no decorrer da película, nos envolvendo dentro dos cortes que as descrições dos fatos vão se confirmando (ou não).

A já citada, a boa fotografia de Lula Carvalho se impõe no filme, ao posicionar sua câmera em confronto com os personagens acuados, seguindo personagens determinados, ou simplesmente estática captando todas as reações emocionais e físicas de seus personagens.

E o bom cineasta não precisa descrever em falas as motivações de seus personagens, desde que tenha todo seu conjunto técnico e um elenco que corresponda à expectativa, este um grande destaque na obra tendo Leandra Leal destilando interpretação do início ao fim, desnudando tudo aquilo que a sua personagem vive durante a trama (nos flashbacks e no tempo presente), com muita qualidade e mostrando porque é uma das melhores atrizes brasileiras da atualidade.

Para quem curte drama e suspense, é uma boa pedida para valorizar nossos filmes, e observar a importância da evolução de mecanismos de financiamento audiovisual na prática, dentro do nosso cinema, quando bons profissionais arregaçam as mangas e fazem acontecer. Que siga evoluindo sempre.

Nota do autor: 8,5/10