F*d4-se a Inovação. Vamos falar de boas cópias.

Inovação, inovação inovação… Repetiram tanto essa palavra que nossas cabeças acabaram por se acostumar e entender inovação como a única fonte de crescimento econômico possível.

"Innovation is the future, Innovation is the future…"

Olha só: Eu não sou nenhum idiota pra discordar de que há um valor absurdo e incalculável nascendo da inovação. É óbvio que há.

E, honestamente, eu espero que muito mais valor continue nascendo de inovações (principalmente) brasileiras no futuro.

A idéia que eu proponho aqui é: Só por hoje, f*d4-se a inovação.

Eu quero mesmo é falar de algo que muitos “empreendedores” de hoje em dia sentem repulsa: As cópias.

Enquanto inovação é o combustível do desenvolvimento econômico, as cópias são o motor de economias inteiras. Cópias são, no fim de tudo, a prova irrefutável de que execução >>> inovação, motivo que faz o first mover não ser sempre o player que vai captar a maior fatia do mercado.

Adieu, Groupon

Enquanto ainda morava e trabalhava em Zürich acabei conhecendo Adrian Locher, founder e antigo CEO do Dein Deal. Sem enfeitar muito, Dein Deal era o Groupon na Suíça.

Na época da fundação da empresa (lá por 2009), o Groupon crescia e já dominava os mercados vizinhos (e maiores) como a Alemanha e a França. Market penetration era de 90% sem chance pra ninguém mais se mover dentro do mercado. Enquanto isso, Adrian e os co-founders do Dein Deal viram na pequena e protecionista Suíça uma oportunidade de dominar um mercado promissor e complexo antes que a empresa americana se desse conta do seu valor.

Como a cópia superou a inovação?
Duas palavras: Localização e execução

Go-to-market

O plano de go to market do Dein Deal foi extremamente eficaz e simples: Contrataram antigos vendedores de páginas amarelas de listas telefônicas para vender produtos que eram exatamente iguais aos do Groupon (desconto para compras coletivas).

Por quê vendedores de páginas amarelas? Simples: Esses vendedores eram pessoas com experiência e que já tinham contato com o mercado alvo (donos de lojas e restaurantes locais) em todas as regiões do país. Esse contato e domínio do mercado era tudo que eles precisavam era introduzir um produto novo em um mercado antigo.

A equação fazia bastante sentido: Trouxeram os profissionais de vendas corretos, entraram no mercado com um produto novo, executaram sem perder tempo e pensaram na tecnologia só depois de ter conquistado o mercado. (os primeiros vouchers do Dein Deal eram PDFs feitos a mão pelos próprios co-founders a cada compra feita).

Resultado? Em pouco mais de um ano dominaram mais de 80% do mercado e a Suíça virou um dos maiores desastres na história do Groupon.

A matriz de Anssoff como um framework pras boas cópias

A matriz de Anssoff, pra explicar rapidamente, é uma matrix 2x2 pra explicar a expansão de uma empresa. Essa expansão pode se dar via produto ou via mercado. Veja abaixo pra entender:

Lembra quando eu disse que o Dein Deal explorou bem o fato de os seus vendedores terem um certo “domínio” no mercado de F&B local?

Esse fato não foi simplesmente “importante” para o Dein Deal
Foi sim um game changer.

a) Sem esse domínio no mercado: O desafio seria conquistar um mercado novo com um produto novo. ( ou seja, o canto inferior direiro — e área mais desafiadora da Matriz)
b) Com os vendedores experientes: O desafio passou a ser uma simples diversificação de produto (de páginas amarelas para compras coletivas)

Ter o mercado na mão foi o grande asset que o Dein Deal comprou quando pagou bons salários para trazer os vendedores experientes de páginas amarelas para o time. O capital foi investido, na verdade, em comprar o domínio do mercado através de seus sales people.

Estratégia e execução

Muito se fala no mundo das startups em encontrar product/market fit e muitas vezes isso significa mergulhar de cabeça no mercado, fazer experimentos, canvas, build/measure/learn, etc.

Por mais eficaz que isso seja, eu entendo que o caso de copycats exija um approach um pouco mais elaborado.

Copycats nascem justamente pelo fato de empreendedores (ou empresas) estarem buscando replicar (geralmente em um mercado diferente) um modelo ou aspecto de negócio que já funciona em outro mercado.

Por isso, além do fine-tuning do product/market fit para o novo mercado, copycats devem — sim — se preocupar com estratégia.

Principalmente: Qual é nosso secret sauce? minha vantagem estratégica? Por que e como eu vou vencer no mercado que eu escolhi com o modelo de negócios que eu escolhi?

No caso do Dein Deal, eles venceram porque tiveram desde o começo o mercado na mão.

~Instasnapgramstories~ e porque eu não investi no IPO do Snap

No caso do Facebook/Instagram vs Snapchat, a vitória do Facebook/Instagram tem acontecido por conta da base de active users que o Instagram já tinha.

Sério, quem não previu que isso fosse acontecer?

O Instagram passou boa parte de 2015 e 2016 vendo sua base de Daily Active Users migrando pro Snapchat. Cansado de tentar uma aquisição do rival. Tio Mark disse aos engenheiros:

“Pessu: O Snap não é mais nosso amigo, mas eles fazem coisas maneiras. Partiu copiar?”

E assim, em pouco mais de 6 meses o Instagram (Insta-Snap-Gram-Stories) passou a ter mais de 200 Milhões de Usuarios Ativos por dia.

Enquanto isso, o crescimento do Snap estagnou. 
(E no Snap.Inc, todo mundo de volta a fábrica de idéias)

Ainda sou um grande fã do Snapchat como empresa. Acredito que eles captam bem uma base de usuários que ainda está amadurecendo e que mais cedo ou mais tarde eles vão se encontrar.

Enquanto isso, original e cópia lutam pelos melhores números.

Pra concluir

Não importa muito se estamos falando de empresas já estabelecidas ou de uma pessoa com vontade, copiar pode sim ser uma boa idéia. Quando bem executadas e alinhadas com as vantages das empresas / pessoas, cópias podem ser o contexto ideal para que resultados comecem a aparecer logo.

Em muitos dos casos (como muito se lê por aí) quem vence são os fast followers e não os first movers.

Ah, e é bom que essa mensagem fique não só pra quem ta planejando copiar, mas também pra quem não tá esperando ser copiado. Executar um projeto / tocar uma empresa é +- como correr no Mario Kart e tentar melhorar seu tempo. Vai ter sempre aquele "fantasminha" te dizendo que você poderia / deveria estar fazendo melhor e é bom que você sempre passe a frente. Nunca se sabe quando aquele fantasminha pode ser uma cópia que aparece do nada, né?

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