emulação

Você costumava ser tão muito mais,
Veio algo e mudou tudo e agora, como faz?
Parece que a vida perdeu seu charme.
Onde é que estão as surpresas e os alarmes?

As crianças na rua fumam algo novo,
E você se esqueceu que o mundo é um ovo.
A ave do Sinclair já bateu asas,
Era o pardau vermelho no enterro de Abraxas.

O futuro já chegou.
E tudo o que passou e tudo o que ficou
É só memória em emulação;
É autoindução, autoflagelação
Do seu mezzo-supereu.

Zapeando em porn na internet
Ou preso em um novo app de shitty-chat,
Houve um tempo em que as letras tinham acento
E cada coisa, o seu próprio momento.

As tardes costumavam ter mais horas,
As noites eram eternas lá de fora,
O sono era uma instituição falida
Agora você dorme pra skipar a vida.

O futuro já chegou.
E tudo o que passou e tudo o que ficou
É só memória sépia em emulação;
É autoindução, autoflagelação
Do seu mezzo-supereu, insônico
E o sonho, cadê?

E o sonho, cadê?
Tempo perdido não se acha mais.
Vendendo os por quês
Por eufemismos pra Tanto faz.

Você costumava ser tão muito mais,
Veio algo e mudou tudo e agora, como faz?
Aquele velho algo-ísmo fanático
Virou esse cinismo automático.

As tardes costumavam ter mais horas,
As noites eram eternas lá de fora.
Um vento veio, foi e levou tudo
Na inadmissível distonia há um novo mundo.

E o sonho, cadê?
Tempo perdido não se acha mais.
Nós estamos vendendo os por quês
Por eufemismos pra Tanto faz.

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