NO DIA DA AMAZÔNIA, SOS TAPAJÓS

Pelo seu bem-estar, o meu, dos nossos filhos, netos…

Antes de se falar a favor ou contra infraestruturas na Amazonia, é preciso cobrar responsabilidade, a começar pela urgência de estudos prévios que avaliem seriamente os impactos do CONJUNTO DE OBRAS PREVISTAS (várias em andamento) para o Tapajós, um dos maiores mosaicos de áreas protegidas no mundo.

Não adiantam só estudos no varejo, por empreendimento, seja uma hidrelétrica, terminal portuário ou rodovia, sem associá-los ao todo. Como bem lembra o procurador Camões Boaventura, do MP/PA: “A apresentação isolada [por projeto] vem para fugir ao controle dos órgãos e ao acompanhamento da sociedade civil organizada.

Afinal, mesmo com a UHE São Luiz suspensa, o que dizer do que virá por aí? Dos impactos de um total de 42 GRANDES BARRAGENS planejadas (ou em construção) na Bacia do Tapajós e seus sistemas fluviais, integradas a novos PORTOS (cerca de 26), FERROVIAS e RODOVIAS, uma HIDROVIA industrial domesticada com o propósito principal de transportar soja (e embarcar para China).

Isso tudo se somando a pressão já existente da MINERAÇÃO (bauxita, ouro…) e do AGRONEGÓCIO, que não se limitou em escoar, atraindo também para região mais desmates de florestas convertidas em campos de soja num processo atropelado de expansão da fronteira agrícola vinda do Centro-sul do país.

Enfim, o que dizer?

Quem diz é o professor Carlos Nobre, um dos nossos mais renomados cientistas: “O pior cenário possível indica um efeito indireto do desenvolvimento da infraestrutura no Tapajós de mais de 200 mil Km2 de desmatamento, o que seria muito grave. Gerariam mudanças climáticas regionais, tais como aumento de temperatura, previstos se um desmatamento de tal escala acontecer. A deflorestação do Tapajós poderia até gerar aumento em escalas globais, conforme a Amazônia deixa de ser um reservatório de carbono e se torna uma fonte de carbono, trazendo sérias consequências para o planeta.”

Foto: Rodrigo Baleia

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