O Contragolpe

Se houver, será colorido

O ‪contragolpe‬, se houver, virá da rebeldia jovem, que foi sempre o que moveu gerações rumo às liberdades. Se ninguém derrubar Cunha, ela o fará. E ainda devolverá ao armário os bolsonetes que saíram pra passear. Tudo com muita cor, arte e criação. Essa é a hipótese otimista. A outra é não acontecer nada, em um país com fama de fogo de palha.

O PT, que prometeu mudar o sistema e foi mudado por ele, está na iminência de deixar o poder depois de 13 anos. Sabe que não se sustentam manifestações só em defesa de um governo impopular, sem amarrar sua continuidade a uma agenda que mobilize corações e mentes. Se muitos 50tões eram petistas quando jovens, a moçada hoje de 25 anos nunca teve um outro governo nacional pra se rebelar que não fosse o do PT. Mas agora terá.

Depois de tanto debate, tanta massa crítica, tantas ruas ora de 20 centavos, ora de copa,… essa juventude que quer transformar se vê provocada por um impeachment controverso, simbolizado por incriminados que julgam e pelo que há de mais atrasado como Bolsonaros e Malafaias da vida. Um novo governo de Temers e Cunhas pra confrontar, com cara ainda mais velha, mais careta, mais contrária, sem muita afeição por quem quer ser e deixar ser. Tampouco com pinta de quem vai governar pra quem mais precisa, tirando menos de quem tem menos. Sem ser estupido, também “é a economia”.

Manifestações espontâneas começam a surgir, num ambiente que tende a união dos movimentos de pensamento mais progressista do país, até então mal resolvidos diante de um Governo que falava uma coisa e fazia outra. Na visão dos mais sonhadores, mais cedo ou mais tarde podem engrenar uma nova onda jovem, um recall de 2013, só que 2.0, pela democracia contra todos os golpes, sobre quem trabalha, os pobres, negros, índios, estudantes, lgbt… Por uma reforma do sistema político, pelas liberdades, pelas águas e florestas, pelo futuro.

Pois é, a hipótese otimista. Talvez ingênua. Mas se tudo pode, permissão para uma “viagem” dos tempos da juventude.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.