Nix

Anny Costa
Nov 6 · 1 min read

Há um momento específico na noite em que gosto de observar as mulheres. Quando o assunto já somos nós mesmas. Quando, entre nós, desnudamos os corpos internos. Nesse momento, vejo um baile em seus rostos, quando nos rejubilamos sobretudo, e confessamos as notas que guiam a face atual e dançante. Aprecio ver-me conduzida aos salões onde perdemos o fio das horas e nos atamos num tempo único em que as histórias já se fundiram. Um grande vínculo inquebrantável por milésimos de segundos. Fugazes rajadas de unidade. Potencialmente latentes, principalmente quando nas venas del sangre. Bailarinas del siglo veinte uno, ascendendo os sentidos às madres de antaño, assim como sinto nos rompantes da noite. Mirando esses olhos tão ternos, tão irmãos dos meus e, por isso mesmo, profundamente contínuos. Nossos corpos devorando os séculos, para gerá-los mais tarde e perpetuamente. Altamente contínuas até o despedir dos instantes. Vigiemo-nos, irmãs, para jamais esquecermos os olhos iguais e fortes.

Anny

outubro de 2019