Iron Maiden: Polônia Central

Waffen SS propaganda

“ Pare de chorar homem! E você ainda se diz um soldado?!”

O soldado ignora seu superior, usando a foto de sua esposa como um lenço umedecido.

“Imagina a vergonha que sua esposa passaria vendo seu homem chorando desse jeito! Já não basta ter essa coisinha que você chama de pênis?”

Era manhã na Polônia, capitão e soldado estavam ambos de cócoras fazendo suas necessidades.

“Me diga que você a engravidou antes de vir para cá, por favor…”

O soldado entende o que o capitão quer dizer e imediatamente começa a chorar ainda mais diante da possibilidade de estar sendo traído, não aguentando ver a imagem ridícula de um homem urinando de cócoras como uma mulher e chorando feito um covarde segurando a foto de uma mulher que ele não honrava, o capitão perde as estribeiras e o chuta com todas as forças, fazendo o soldado cair sobre suas próprias fezes.

“ Escuta aqui, seu merdinha! Tira esse uniforme, tira esse uniforme agora! ”

“ C-capitão?! ” — O soldado enfim responde.

“ Nesse mundo você é o caçador ou você é a caça, você entendeu? Você é um soldado da Whermatch, o exército mais forte que já existiu na história! Haja como um! Enquanto você se preocupa sobre o que sua mulher faz com a vagina você pisa em solo inimigo, sua própria pele está em risco! Diga-me soldado, você quer morrer?! ”

“ N-não, capitão…”

“Mais alto!”

“ Não capitão!”

“É conquistador ou conquistado?!”

“ Conquistador, capitão. ”

“ Você é Gengis Khan ou Kaifeng?!”

“ K-kai… O que? ” — O soldado não entende citação tão particular, o capitão se sente esgotado de sua paciência, repleto de sentimentos de intolerância ele termina suas próprias necessidades, levanta e saca sua pistola.

“ Tira esse uniforme, tira! Tira agora! Levanta! ”

O soldado não podia completar tal ordem, ele se arrasta até a parede com feno e mármore da casinha da latrina como súplica de misericórdia, deixando um fétido rastro de fezes por onde suas nádegas passam, era a imagem mais patética que o capitão tinha visto em toda a sua vida, o valor do homem a sua frente se torna menor de que um inseto e o capitão perde o interesse de executá-lo, levantando suas calças ele começa a fechar a favela do cinto, de costas.

“Você devia agradecer a Deus todos os dias por ser um alemão, sabia? Fosse um polonês eu já teria te colocado na cova no momento que meus olhos se cruzaram com os seus.”

Ele aperta o cinto e o soldado continua de braços levantados, completamente assustado.

“Considera isso como uma chance, vire homem! Aqui na Polônia você está entre os conquistadores soldado, desfrute das mulheres, da comida e durma em suas terras, beba de sua cerveja, mesmo que ruim, mije e cague em suas terras deles e no outro dia saia para caçá-los, ha! Esses Poloneses! Se escondem como ratos todos os dias porque não tem a coragem de lutar como homens.”

O soldado responde com voz fina e rouca.

“ Eu… Jamais poderia pensar dessa forma capitão, essas pessoas tem famílias e- ”

O capitão não deixou ele terminar, cospe com força contra o rosto do soldado e em seguida pisa, esfregando a borracha da botina nele com força espalhando toda a saliva da cusparada, o soldado se debate mas não reage, quando o capitão termina seu rosto está todo avermelhado, ferido e marcado com o formato da sola da botina.

“ Você é um ariano com espírito de eslavo. ”

A que ponto um homem poderia se rebaixar ao outro? O soldado sente a maior vergonha que jamais soube que poderia sentir, seu coração se aperta de uma forma que achou que explodiria, como poderia se levantaria dali agora? Fedendo daquele jeito, com a cara toda marcada e principalmente com as calças todas sujas? Ele era apenas um pintor de Vienna, um homem passivo e humilde de coração, forçado a se tornar soldado assim como gado que é escolhido para o abate, sua vida estava prestes a se tornar um inferno pior agora, sua esposa encontraria um homem de verdade em Vienna e ele seria o motivo de piada de toda Whermatch! Abrindo os olhos vagarosamente ele já pensava em suicídio quando escuta abruptamente o som do disparo ensurdecedor de uma arma de fogo.

“ Mein Gott! ”

O capitão que já estava saindo é jogado de volta para a casa da latrina, seu quepe voa enquanto um projétil perfura seu crânio em um ponto certeiro de forma que sua parte frontal estoura, escalpelando-o como se fosse um enlatado sendo aberto, alguns destroços de seu crânio voam como estilhaços e alguns param na face do soldado, seu cérebro fica exposto e parcialmente moído, banhado pelo vermelho vívido do sangue, o capitão jaz morto e imóvel encima do local em que acabaram de defecar, com o rosto se encaixando perfeitamente encima nas fezes do soldado, elas amortecem o impacto da queda de seu cadáver.

“Capitão? ” — O soldado se sente um idiota tentando chamá-lo, um súbito silêncio ameaçador se instaura, porém dessa vez ele não sente medo.O sentimento de humilhação é completamente substituído pela surpresa, incrédulo ele espia o lado de fora, o tiro havia vindo dos altos pinheiros, foram os partisans poloneses.

Estranhamente ele não sente que será alvejado, algum anjo naquelas árvores havia testemunhado a cena e agiu de acordo, o soldado estava completamente grato e agora o instinto o chama com todas as forças, ele se levanta e age com extrema eficácia despindo o capitão de suas vestes de baixo, agora ele tinha as calças limpas que precisava e elas combinavam perfeitamente.

Imaginou todas as histórias que os outros militares tirarão disso, como o “Capitão que se borrou de medo” ou “Morreu enquanto cagava”, ele tentava escolher que versão ele poderia fazer.

Nada funcionou como ele imaginou.


Na semana seguinte, dois soldados conversavam na hora da refeição.

Os Soviéticos avançavam do Leste com todas as forças, os soldados do Reich estavam cada vez mais desesperados a cada dia que se passava.

“Com os russos pressionando esses partisans estão ficando cada vez mais ousados… Mesmo aqui, na linha de trás nós temos nossos problemas… E pensar que capitão Bryan foi morto…”

“Eu nunca gostei do capitão Bryan, era um homem violento demais para meus gostos, você viu o que ele fez com o Brunno?”

“Brunno? Aquele Brunno?”

“O soldado que estava na hora, aparentemente o capitão estava tentando se aproveitar dele na hora…”

“S-sério?! Hahahahahaha!”

“Não ria! Isso é abuso sexual!”

“Ele sempre foi um chorão, o oficial deve ter confundido ele como uma mulherzinha.”

“ Ouvi falar que ele cagou de medo, e ainda o oficial foi morto e caiu encima das fezes dele!”

O soldado interrompe a conversa de repente, o quinto pelotão estava acomodado ao redor de uma pequena fogueira comendo, eles comentavam e aspiravam contra o jovem soldado, Brunno surge da fila da refeição com sua face marcada e amedrontada sendo seguida por olhares de todos os lados, ele se dirige a fogueira do quinto pelotão ignorando a do seu próprio, imaginando que por ser mais longe ele estaria mais discreto, teria um pouco de alívio na semana infernal que passava, Brunno julgara extremamente errado.

“Falando do Heulsuse…”

O quinto pelotão tinha um dos mais fervorosos admiradores do finado capitão Bryan, homens brutos da Whermatch tão violentos quanto o seu superior, cães selvagens que estavam sem suas mordaças agora que seu dono fora tão vergonhosamente assassinado, todos se eriçam quando o soldado se aproxima com sua bandeja como predadores antes de darem o bote.

Gutten Natch…” — Diz Bruno, sem ter tido a mínima noção daquelas óbvias mensagens corporais que seus companheiros mostravam.

“Você humilhou kommander Bryan, seu lixo!” — Todo o pelotão avançou contra Brunno menos um que observava tudo, se encolheu, resolvendo não se envolver.

Heulsuse!” — Jogam a ração de Brunno contra a face dele e quatro homens o derruba imediatamente, começaram a chutar todo o seu corpo, membros, troncos e principalmente seu rosto, dois pelotões mais próximos rapidamente se juntaram ao espancamento..

Scheißkerl! Você humilhou o oficial! Sabe o que estão falando de nós lá fora agora?! Sabe?! ”

“ E-eu não tenho culpa! Eu não tenho culpa! ”

Ele tentava falar em meios aos golpes jogados no chão, sangue saia de seus lábios e sua roupa estava completamente suja pela poeira das botinas, os homens do quinto pelotão então pararam todos e pegaram o ferido Brunno pelos braços, ele fica aliviado só por um breve instante antes de ser jogado contra a fogueira improvisada de lenha, cascalhos e terra, ele se debate e se levanta rapidamente, as brasas se levantam e agarram suas roupas, incendiando suas mangas e seus braços, um círculo se forma ao redor de Brunno, quando ele tenta sair do círculo um homem o jogam de volta para a fogueira, ele arranca seu uniforme em desespero, bate ele contra a terra seca, se levanta e o empurram de volta na fogueira, repetiu assim cinco vezes até chegar a um ponto que seu corpo afoga as chamas e as chamas se extinguem, quando percebeu que seria jogado de volta ele desiste de tentar, permanecendo encima da lenha fervente.

Os soldados começam a lentamente andar em direção a Brunno novamente quando o soldado observante finalmente age e se posiciona entre Brunno e o grupo.

“ Hey! Já chega! Vocês vão matá-lo?! ”

“ É melhor você sair da frente, você não tem nada a ver com isso. ” — O amigo dele fala, o soldado Einbrahem tira o destruído Brunno de cima da lenha em um que seus companheiros entendem como ousadia, eles se entreolham e se preparam para avançar contra ele também.

Um grito de ordem de repente surge.

Achtung!

Uma estrondosa palavra de ordem alemã ecoa entre o grupo de homens e os paralisam, a comoção havia chamado a atenção de seus superiores e o comandante havia chegado, os soldados viram para trás e fazem a saudação militar em completo silêncio, sem tentarem se explicar ou fazerem qualquer movimento brusco, no meio da roda Einbrahem é o único que ignora e se põe a olhar os ferimentos de Brunno, que morde os lábios para não deixar sair nenhum som agonizante de dor.

Der Obersturmführer, Enhard Busch! ”

A presença do capitão sozinha congelava o grupo de agressores, com os braços para trás, sua presença trazia um silêncio fúnebre quase sobrenatural, ninguém ousava esbouçar uma palavra, o Obersturmführer era homem caucasiano de alta estatura, de mandíbula robusta porém de feições finas, os traços de sua face denunciavam as marcas da idade o atingindo, a boca era uma linha fina e resoluta, fechada e arqueada levemente para baixo, quando abre expressa voz de comando, quando fecha deixa tensão, os fios de cabelo eram castanhos e alguns grisalhos, de corte militar escondidos por baixo de seu quepe, seu uniforme verde musgo estava impecável, o colar era preto assim como os ombros, as runas nórdicas da ϟ ϟ na esquerda e três estrelas prateadas na direita, símbolos de sua renomada posição, as luvas eram negras como as luvas de um capataz, Enhard Busch era o novo comandante encarregado daquela divisão.

“O que está acontecendo aqui?” — Perguntou.

“É Brunno senhor, ele estava humilhando o ex-comandante…” — Um deles respondeu com os lábios trêmulos.

Einhard suspirou resignado, os olhos pesados percorrem as faces de cada um do círculo, ele começa a andar e naturalmente os soldados abrem espaço para ele, mostrando Brunno ferido na fogueira e o soldado que o salvara, que vendo Einhard imediatamente entrou em posição de sentido, coisa que Brunno estava incapaz de fazer.

“Qual é o seu nome, soldado?” — Perguntou o capitão para um dos agressores.

“…Ernst, senhor.” — Ele respondeu, sem estabelecer contato visual por muito tempo.

“Soldado Ernst, o que o seu parceiro diz é verdade?”

Ernst olhou para os homens, eles o ameaçava com olhares, depois encarou os olhos frios e firmes do comandante e decidiu-se.

“Não senhor, Brunno não estava fazendo nada.”

Silêncio completo, o comandante olha para o homem que ousou tentar falar mentiras para ele.

“Soldado?”

“N-não, senhor! Ele é outro comparsa dele! Sempre disse que não gostava do comandante Bryan e resolveu ofende-lo também agora que ele está morto!”

O comandante Einhard mede as feridas do soldado na fogueira, mais alguns segundos e ele podia estar morto, o comandante não pôde deixar de se perguntar se ainda comandaria uma divisão de homens mortos ou de soldados, não sabia a resposta exata, mas sabia que algo tinha de ser feito.

Ele saca sua pistola negra e alveja a cabeça do soldado que havia ousado falar, atirando e estourando os miolos dele ali mesmo no meio de seus companheiros que não ousam esbouçar reação, sem dizer mais nada Einhard se retira e ninguém fala nada até sua figura sumir entre os barracões.

A Brunno é entregue um novo prato e todos os agressores perdem o direito de refeição pelo resto da semana, a sorte havia o encontrado novamente, mas até quando?