A efemeridade

O medo da efemeridade da vida
Me faz querer ser lembrado
Me dá angústia de não ser
De não pertencer, de não explorar

O medo da efemeridade
Me dá arrependimentos
De não conseguir, de não abraçar, de não celebrar

A efemeridade faz tremer os dedos
Faz o trabalhador acordar cedo
E prover para ele mesmo e para quem ele tiver
Porque assim foi dito, para continuar

A efemeridade nos deixa vulneráveis
Não só a morte, mas ao estado constante de condição
Da condição de estar ou não estar aqui amanhã

Toda vez que deixo alguém passar
Que não falo o que queria falar
Que não beijo quem queria beijar
Que não abraço quem queria abraçar
Sinto uma parte de mim indo embora

E o que me resta é sofrer por ora
Tentar entender que um dia irei embora
E voltar ao fluxo normal da vida

Se você descobrir como não entrar nessa rotina
Me avise, me conte um dia
Preciso muito dessa sua ajuda