O afago do eu lírico

Ela ignorou você, meu eu lírico
Não quis saber as palavras que você despejou em papel
Tudo em nome dela
Te tratou com indiferença, descrença

Mas tudo bem, você não escreve para ela
Escreve para você mesmo
Para os seus anseios, seus devaneios
Suas aventuras poéticas solitárias

Porque a dor te define mais que o amor
Te faz despejar mais pensamentos em preto e branco
Descer o grafite em forma de letra
E fazer com que o outro se sinta melhor do que você

Você tem mais alma que poema
Mais alma que qualquer musa que já veio até ti
Seus tropeços servirão de afago a outros corações
Seu choro vai seguir como conforto a quem quiser chorar

E no final, cada sorriso que receberá do outro lado da tela
Vai valer cada lágrima derramada
Cada minuto de espera
Cada jogo de sedução perdido

Pode seguir com esse seu coração mole
Seja o abrigo de mais desilusões
De mais incertezas, de mais emoções

Um dia você irá entender
Que o que valeu foi ter sentido
Ter demonstrado
Ter caminhado o caminho que é seu, e de mais ninguém

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