Confiança e reputação, ou a falta de…

Terminamos o ano com mais um presente da inglesa The Economist, dessa vez não se tratava da capa caricata com o Cristo Redentor saindo voando como um foguete. Dessa vez é a nossa presidente com uma expressão que demonstra um misto de desânimo e tristeza, desespero até.

Mas afinal e contas o que significa, ou melhor, no que implica uma capa dessas? na semana seguinte vai servir como forro de alguma caixa de mudança, não vai? Não, não vai.

Estudiosos de diferentes frentes áreas como economia e comunicação já elegem a “confiança” como um dos elementos de sucesso econômico tanto de empresas quanto de países. Essa confiança, por sua vez está ligada diretamente a um elemento primordial: a reputação.

Segundo o Reputation Institute, que publica o City Rep Track, ou índice das cidades com melhor reputação do mundo, no qual o Brasil, representado por São Paulo e Rio de Janeiro, aparecem com pontuação entre 0 e 40 pontos, que representa “reputação pobre”, relaciona 2 tipos de reputação no seu framework: a reputação emocional e a reputação racional.

A reputação racional é a capacidade “dura” do lugar, como economia, governança e meio-ambiente, já a emocional trata da estima, admiração, sentimento e confiança.

Quando uma agência de classificação rebaixa a nota de um país, isso afeta automaticamente a reputação racional, dando um claro sinal ao mercado global de que aquele lugar não é mais a bola da vez, mas essa avaliação tende a circular em ambientes menos abertos e permeáveis, normalmente restrita a conversa de especialistas e economistas e a repetição sem fundamento dos teóricos de tudo do Facebook.

Uma capa de uma revista internacional do peso da The Economist, por sua vez, tem um impacto um pouco mais devastador. Ao mesmo tempo que inclui os especialistas também abrange um grande número de leitores mundo afora, mais interessados em política internacional do que propriamente economia. Uma revista é algo que tem uma capa, uma imagem e um texto, portanto um impacto visual forte, ao contrário de um relatório econômico.

No City Nation Place ouvi uma declaração um tanto óbvia do colega Chris Fair da Ressonance, mas que nunca tinha resumido dessa maneira:

“A midia social molda nossa percepção de realidade!”

Se a mídia social, com todos seus problemas, tem essa enorme capacidade de influência, essa notícia pode ser ainda mais devastadora, porque nasce num ambiente menos duvidoso que a web mas termina lá na vala comum das bobagens cotidianas e do Fla X Flu político partidário.

Essa reflexão tenta levantar o debate sobre a responsabilidade a respeito do que é falado, além de discutir como o que é dito e escrito impacta no nosso dia-a-dia.

Claro que nada disso tem a ver com promoção da censura e muito menos com uma tentativa imbecil de acusar a revista de golpista. Tem a ver com compreensão de que a reputação é o que direciona e muitas vezes sustenta o sucesso de uma economia, e mais do que isso, gera pertencimento em todo um povo. Pertencimento é orgulho, e orgulho, por sua vez, contribui para a reputação, afinal, todos somos parte, tanto da solução, quanto do problema.