Por uma cidade para pessoas: O ato de tornar público a arte na cidade

Caio Melo
Caio Melo
Jul 28, 2017 · 2 min read

A mobilidade urbana e a cidade não se dissociam. No mar urbano atual, há a grande necessidade pessoal de prova existencial como parte integrante da urbe. No imaginário contemporâneo, devido à grande quantidade de informação, há perda de referenciais e memórias por inúmeras constantes: transformações arquitetônicas, pontos de concentração massificado, diálogos entre o real e o digital em conflito, etc.

Na composição de um espaço há memória. Contudo, a obra de arte inserida no contexto urbano atual não condiz com seu objetivo de interação entre pessoa e espaço público: não é completamente acessível em sua coesão social. Pelo viés do desenvolvimento urbano, também não contribui e nem gera oportunidades de diálogos e melhorias.

Dentro do contexto social, a arte deve se mostrar participativa. De que forma? Dialogando com seu entorno. A sociedade ali inserida, precisa conseguir fazer uma leitura e assimilação pessoal ou histórica com que vê e sua correlação ao espaço em questão.

O sociólogo David Harvey em seu ‘A liberdade da cidade’ apresenta que o direito à cidade não está necessariamente interligado ao direito de acesso à locais. Muito antes disto, ele está para a garantia do uso (e reuso), a permissão de construção e reconstrução. Pensando na construção de condições existentes habitáveis, não estamos apenas em dívida com a ocupação destes lugares, mas de produção e inserção cultural do mundo tecnológico atual de todos que ali habitam. Como falar com todos sem ser excludente?

Obra da artista Tomie Ohtake na Av. Paulista/São Paul. Foto de Moacyr Lopes Junior.

Este desafio sobre a abertura de espaços pode muito bem se inspirar no que hoje chamamos de soluções tecnológicas para pessoas. A proposta de comunicação entre o espaço arquitetônico e a arte é tão antiga quanto a história de ambos. Atualmente, o fomento para múltiplas ações existem
de muitos.

O contratempo está na análise e processamento dessas demandas específicas de diálogo e do ato de tornar coletivo para uma gestão eficaz. De que forma, enxergamos e promovemos experiências sensoriais, emocionais e até mesmo educacionais no contexto de inserção e reinserção de diversos indivíduos
e localidades?

Possibilidades narrativas são extensas assim como a grandeza de nossa engenharia e alta tecnologia. A unificação destes dois pontos já é frequente e acontece diretamente em exposições e obras de arte espalhadas pelo mundo. O novo já foi alcançado. Só é preciso lapidá-lo e compartilhar.

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