Mpho Mojapelo @ Unsplash

Chega de Fla x Flu, Brasil?

A única coisa que vai reerguer o país é o entendimento de que estamos todos do mesmo lado do campo.

É inegável que nossa cultura futebolística está enraizada no nosso DNA.

Não falo sobre gostar ou desgostar do futebol. Aliás, já é um bom começo para a mentalidade Fla x Flu: ou gosta ou desgosta?

Calma lá…

Sabe quando a Jandira se opôs à sua idéia no trabalho e não quis de jeito nenhum saber de ouvir o seu lado? Foi o primeiro passo para estar no time contra você até o fim dos dias do contrato de trabalho.

A disputa saudável, a brincadeira com os amigos, o melhoramento contínuo para vencer ficaram lá na história do museu do Futebol.

A mentalidade Fla x Flu extravasou o campo, tomou conta do bem comum, da internet e — talvez o pior — da política e do bem comum social.

Ou tá comigo, ou tá contra mim.

Ou você é Fla ou é Flu, parceiro.

O problema é que a mentalidade Fla x Flu é absurdamente cega e destrutiva.

No Fla x Flu empresarial: Esse papo de "o marketing tá de um lado e vendas tá do outro" quebra qualquer estratégia bem feita para uma empresa e cria reuniões de 3 horas que jamais terão qualquer resultado produtivo.

No Fla x Flu social: Veja você o extremo, essa mentalidade cria uma inconsequente cegueira que gera discussões e argumentos sem cabimento (e bons memes também).

Ô atitudezinha difícil, rapaz.

Atitude que impede ver que, quando falamos dos atuais fatos políticos de nosso país, pensando como sociedade, não tem Fla e nem Flu: tá todo mundo do mesmo lado do campo.

Nós não precisamos de mais uma briga além da ridícula lista de falcatruas.

A única coisa que vai reerguer o Brasil ao seu potencial (que não é pequeno, acredite!) é o entendimento de que estamos todos no mesmo time e se esse time perder vai todo mundo pra segunda divisão juntinho de braços dados.

E não vai ser bonito não.

Devolvam o Brasil para os índios?

Os índios pouco devem saber do futebol, mas devem conhecer o Fla x Flu.

Ao menos o respeito deles pela nossa terra é algo que nós, "membros evoluídos da sociedade", malemá paramos pra pensar.

Sabe quando um nativo jogaria um papel no chão da floresta? Ele nem caça ou pesca fora de época para respeitar o ciclo de recomposição da natureza.

O nosso anfitrião nativo sabe que não se faz delação premiada à natureza e não se compra a presença da caça. Sabe também que a honestidade mora em cada indivíduo, seja curumim ou cacique.

Aliás, ética e a harmonia são as formas primordiais do funcionamento de qualquer comunidade, e nesse quesito o povo indígena dá de lavada no time do outro lado do nosso campo.

Se o cacique fosse técnico desse time, ele deixaria a dica:

Nós escolhemos livremente aquilo que queremos plantar, mas seremos obrigados a colher os frutos daquilo que foi plantado.

E aí então nos lembraria que, independente da cor ou símbolo no seu uniforme, o importante é que haja alimento, abrigo, harmonia e sustentabilidade para a tribo desse time.

Enquanto não entendermos que estamos juntos, vestindo o mesmo uniforme verde e amarelo sem símbolo da CBF ou qualquer outra instituição, não saberemos o que é o progresso e nem a ordem que nos estampam.

É a união em busca do bem, ordem e progresso DE TODOS (e não de meia dúzia) que nos fará, como nação, melhores.

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