Sobre expectativas, autopreservação e “pensamentos template”.

Já ouvi e li um sem número de vezes a frase “se você não quer se decepcionar, não alimente expectativas”.

É mais um daqueles que eu costumo chamar de pensamentos template.

E de repente ele não apenas faz parte de você, mas de uma imensa onda de posts pela internet replicando a frase e disseminando “a grande sabedoria”.

O inimigo invisível é justamente o quanto as mensagens se transformam em comportamentos. (Que se tornam hábitos, que formam caráter). Passamos a acreditar, a tomar como verdade as mensagem que importamos. E elas têm o poder de mudar as relações, a nossa vibração, a maneira como vemos as pessoas e como somos vistos. Muda a nossa realidade.

Estou usando um exemplo quase banal como “a incrível arte de não se decepcionar”, mas outras mensagens muito mais danosas, crenças limitantes, sentimentos de insuficiência, estímulo à competição, consumo, discriminação, etc. também são condicionamentos que estão por aí “ditando as regras” e impedindo tanta gente de sentir o mínimo de bem-estar no dia a dia.

Olhe para dentro.
Se questione.

Não importa se é Nietzsche, Kant ou um MC “Someboby” fazendo Rap.
Não faz sentido ficar aplaudindo de pé um bando de frases de efeito sem avaliar se realmente a mensagem faz sentido, se ela edifica ou carrega algum aprendizado real.

Pare. Ouça. Pondere.
É grátis.


E se você é do tipo que não cria expectativas para não se decepcionar, deixo aqui o meu ponto de vista. É preciso sim aprender a calibrar as expectativas: isto se chama maturidade. Mas lembre-se de que quem alimenta expectativa é quem sonha, quem deseja o melhor. É coisa de “gente do bem”…então não mate uma parte linda da sua essência por causa de um instinto de autopreservação babaca plantado na sua cabeça.

Afinal, qual é a graça de viver se não for com toda a força?

Muda tudo quando sentimos que as coisas não acontecem “COM” a gente, mas “PARA” a gente.

Podemos comprar todas as brigas, decidir lutar todas as guerras, mas a verdadeira paz encontramos quando decidimos baixar a guarda e deixar para trás a armadura e o elmo: além do peso desnecessário, eles nos impedem de mostrar para o mundo — e para nós mesmos — quem realmente somos.

:)


©Caio Braga | www.caiobraga.com.br