A pesquisa precisa agregar criação na análise.

Como fazer a ponte entre o insight e a sua aplicação pode fazer toda a diferença no processo de pesquisa.

Quem trabalha com pesquisa foi ensinado a lidar com o intangível. Mergulhar em dados, transformá-los em aprendizados, em insights e, no final, mostrar tudo que aprendeu em uma apresentação de slides.

O pesquisador tem que ser como um arquiteto que fica feliz só de fazer o projeto sem necessariamente ver a casa construída. Sei que esse tipo de trabalho não é para todo mundo mas, no geral, aprendemos — e gostamos — de trabalhar assim.

Acontece que hoje em dia (em tempos de crise, ansiedade por resultados, muita competição e todos os etc. que você já conhece) o intangível tem sofrido uma grande pressão. Uma pressão para se mostrar mais denso, concreto e mais tangível.

As empresas, no final das contas, querem saber onde aquele insight leva, que tipo de produto poderia ser criado a partir dele, que mudança concreta de estratégia, que ação de comunicação. Elas precisam ter coisas mais concretas nas mãos que só um insight muito bem definido em um slide bem diagramado.

A habilidade da criação e não só da análise deveria ser incorporada pelos departamentos de pesquisa e seus fornecedores. Os pesquisadores precisam ter a coragem de ir além do esperado e criar protótipos de novos serviços, produtos, com base nos aprendizados.

Para quem acha que isso não é pesquisa eu digo por experiência própria nos projetos que lidero aqui na Scoop: os protótipos, além de entregarem mais valor ao processo, fazem com que os insights (os grandes protagonistas da pesquisa) sejam plenamente compreendidos e tenham seu valor notado pelos times de marketing e produto.

Muito se discute sobre o futuro do trabalho da pesquisa numa época de AI, Big Data e todo-o-resto. Pelo menos para a pesquisa qualitativa, talvez esteja aí um caminho: precisamos agregar criação na análise. E com isso deixar tudo mais poderoso.