Os caminhos entre o varejo e o ecossistema das startups

Uma das coisas que o Latam Retail Show proporciona sem dúvida nenhuma, são as oportunidades de termos nos palcos do evento as principais lideranças do país quando o assunto é varejo. No meu caso, liderando um painel nesse ano sobre o varejo e as startups, pude reunir profissionais que hoje estão literalmente “fazendo” a diferença, mostrando quais são as oportunidades e possibilidades desse mercado.
Eu tinha em minha visão, um caminho pré-definido bem claro que queria compor para o palco:
· Criando laboratórios internos de inovação;
· Contratando startups como forma de inovar no negócio;
· Usando o mindset para criar spin-offs e novas oportunidades
· E finalmente, apenas investir nesse mercado.
Durante o painel, Sergio Borriello, CEO da Pernambucanas, que vem transformando muito a experiencia de compra através de seu laboratório e Nicolas Simone, CIO do Grupo Boticário, responsável pelo Botilabs, que também vem revolucionando a experiências das lojas do grupo, mostraram que “mais do que tecnologia, os laboratórios são espaços importantes para disseminar uma nova cultura de inovação”, como disse Simone, uma espécie de fagulha inicial que permeia todos os processos e colaboradores, e que pessoas ainda são o principal diferencial. Na visão da Pernambucanas, por exemplo, contar com gente de casa, foi uma das premissas. “Gente que já conhecia a cultura da empresa, e estava buscando criar mais”, nas palavras do próprio Borriello.
Thiago “Doc” Luz, nos mostrou como o varejo de médio porte, no caso a Aramis vem buscando inovar. E uma coisa que já é mandatória nesse sentido. A inovação é algo que vem acontecendo de maneira top down, ou seja, de cima para baixo. Não importa o porte ou segmento de sua empresa, inovar trata-se do desejo e energia do próprio empreendedor ou dono da empresa, do que as capacidades do próprio negócio em si.
E o que esse novo mindset poderia acrescentar aos negócios de hoje? Na visão de Graciela Kumruian, COO da Netshoes, que de um negócio físico, foram para o online, e apostaram novamente no negócio físico, com a compra da marca Shoestock, o principal objetivo é sempre estar buscando estar se adequando às necessidades do consumidor, onde e como ele deseje interagir com as marcas.
Coroando a tudo isso, a visão de Caito Maia, fundador da Chilli Beans, e agora conhecido por um público maior por investir em novas ideias no reality show “Shark Tank”, valorizou ainda mais a importância do empreendedor no negócio: “O que mais me chama a atenção na hora de investir, é o brilho nos olhos do empreendedor, a chama que brilha nos olhos de quem está vendendo e acreditando na ideia”. Como um velho ditado que diz que quem muito quer, faz acontecer.
A partir do painel, e das conversas com todos eles, pude traçar algumas questões importantes para quem deseja se aproximar desse novo ecossistema, principalmente se a ideia for a de criar um ambiente interno de inovação:
1.) Top down: Se você é o líder máximo da empresa, o dono de negócio, esse processo de inovação tem que partir de você. De outro modo, não funciona se o líder da empresa não estiver determinado e comprometido com esse processo.
2.) Estrutura Independente: Isolar os processos de inovação da rotina ou do dia-a-dia da empresa tem sido um dos principais meios de garantir que as equipes não “se contaminem” com o processo ou cultura atual, trazendo um novo olhar sobre o negócio
3.) Aceitar riscos: Sim, não é um mercado seguro, e é extremamente volátil, por isso, vale a pena estudar muito a fundo as oportunidades, e controlar mais as “apostas” quando não tiver certeza.
4.) Errar rápido: Erro é uma forma de aprendizado, e deve ser encarado dessa forma. Quanto mais se erra e se aprende com os erros, mais próximo do resultado perfeito.
5.) Rollout: Tudo o que é implantado, tem que ser disseminado para toda a empresa. De uma tecnologia, à um novo processo, tudo criado, testado e aprovado, e a partir disso, inicia-se a busca da próxima transformação.
De certo, quem esteve presente a este painel no Latam Retail Show pode entender quais os caminhos para se aproximar e as oportunidades (e novos resultados) que essa aproximação poderá trazer aos negócios. Não faltam caminhos e oportunidades.
Um grande abraço e boas vendas!
Caio Camargo
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