As melhores séries que vi em 2018

Jodie Comer só falta saltar para fora da tela em ‘Killing Eve’, de tão vibrante que é sua atuação (Divulgação/BBC America)

Esta é a primeira lista anual de séries que eu faço. Depois de bastante tempo dedicando meus esforços às listas anuais de filmes, decidi tratar a TV de maneira tão organizada quanto o cinema — agora eu tenho a relação de séries para ver e as que já vi, como já faço com filmes há muitos anos.

Conclusões: quanta coisa boa e quanta coisa para ver. Só em 2018 foram 495 programas roteirizados produzidos para canais de TV e plataformas digitais. São incontáveis novidades somadas aos títulos que já comecei a ver e quero continuar e àqueles que tanto não são novidade quanto já foram encerrados (como The Americans e The Leftovers; ainda estou em débito com ambos).

Entretanto, agora que tenho uma listinha, acredito que consigo assistir a mais coisas do que antes. É o que percebi ao escrever sobre o ano passado e fuçar o caderninho de anotações. Agora vamos ao que interessa: abaixo, as melhores séries que vi em 2018, na ordem em que consumi cada uma. E, depois disso, destaque para minhas prediletas.

Westworld — 1ª temporada (HBO)
American Crime Story: O Assassinato de Gianni Versace (The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story, FX)
Atlanta — 1ª temporada (FX)
The End of the F***ing World — 1ª temporada (Channel 4/Netflix)
Atlanta — 2ª temporada (FX)
Unbreakable Kimmy Schmidt — 3ª temporada (Netflix)
Patrick Melrose (Showtime)
Legion — 2ª temporada (FX)
Killing Eve — 1ª temporada (BBC America/Globoplay)
O Conto da Aia (The Handmaid’s Tale) — 2ª temporada (Hulu/Paramount Channel)
Widows — 1ª temporada (ITV)
C.B. Strike (Strike) — 1ª temporada (BBC One/Max)
C.B. Strike (Strike) — 2ª temporada (BBC One/Max)
C.B. Strike (Strike) — 3ª temporada (BBC One/Max)
Fargo — 1ª temporada (FX)
Fargo — 2ª temporada (FX)
Fargo — 3ª temporada (FX)
The Alienist (TNT/Netflix)
Sharp Objects (HBO)
Godless (Netflix)
Homecoming — 1ª temporada (Amazon Prime Video)
O Mundo Sombrio de Sabrina (Chilling Adventures of Sabrina) — 1ª temporada (Netflix)
Maravilhosa Sra. Maisel (The Marvelous Mrs. Maisel) — 2ª temporada (Amazon Prime Video)

Pièces de résistance

Killing Eve: Eve Polastri (Sandra Oh) trabalha para o MI5 e está em uma busca obsessiva por Villanelle (Jodie Comer), uma assassina de aluguel psicopata que tem rodado o mundo executando gente dos mais altos escalões dos meios político e corporativo. O grande lance de Killing Eve não é apenas esta dinâmica, mas como ela se desdobra no movimento oposto: Villanelle também está obcecada por Eve. Este excêntrico thriller criado por Phoebe Waller-Bridge dribla qualquer expectativa possível e, caso raro no gênero — em ambos os sentidos da palavra — se constrói todo ao redor de duas mulheres. Disponível no Brasil pela plataforma Globoplay.

Sharp Objects: minissérie da HBO adaptada do romance homônimo de Gillian Flynn, Sharp Objects proporciona a seus expectadores uma experiência tão cortante quanto o hábito de autoflagelo de sua protagonista, Camille (Amy Adams, em uma atuação que assimila todos os detalhes da complexa personagem). Ela é uma repórter medíocre que volta para a cidadezinha sulista em que cresceu para investigar os assassinatos de duas meninas. No processo, nós nos deparamos com os valores conservadores e provincianos das pessoas que vivem ali — e como eles ajudaram a criar a tempestade perfeita para os crimes acontecerem. Sharp Objects, criada e produzida pela veterana Marti Noxon, é prato cheio para quem gosta de histórias do gênero gótico sulista. A atuação de Patricia Clarkson como Adora, mãe de Camille, também é um arraso.

Homecoming: Heidi (Julia Roberts, excelente) trabalha em um programa de reabilitação de soldados que voltam da guerra com transtorno de estresse pós-traumático. Tudo parece estar como deve estar — o programa tem uma proposta clara e articulada, há sinais de que os soldados têm se recuperado e já podem voltar à vida em sociedade, e até as instalações do Homecoming parecem ser milimetricamente organizadas e decoradas. No entanto, esta é só a superfície. Ao começar a entrar em atrito com seu supervisor, Colin (Bobby Cannavale), Heidi percebe que na verdade tem algo sinistro por trás disso tudo. Isto ocorre em uma linha de tempo. Em outra, ambientada em um futuro próximo, Heidi trabalha como garçonete em um diner e não se lembra bem do que ocorreu nos tempos em que prestou serviço ao programa. O carismático Stephan James brilha como o coprotagonista Walter, um dos pacientes de Heidi; a direção de Sam Esmail (Mr. Robot) é concisa e confere à série um estilo visual peculiar, em que toda engenhosidade surge por meio da simplicidade; Sissy Spacek e Marianne Jean-Baptiste também têm participações marcantes. Homecoming é a série perfeita para os tempos atuais, em que há tanta desconfiança pelas instituições.

Menções honrosas

The Marvelous Mrs. Maisel: a série do casal Amy Sherman-Palladino e Daniel Palladino (Gilmore Girls) segue tão maravilhosa quanto a personagem principal. Na segunda temporada, nos aprofundamos na saga de Midge Maisel (Rachel Brosnahan): ela é uma jovem mulher, mãe solo e comediante stand-up no fim dos anos 1950. Doce, perspicaz e empolgante, esta comédia dramática examina os valores, costumes e política daquela época, em uma sociedade à beira de mudar — e muito — nos anos 1960. O elenco só falta estalar de tanta eletricidade.

Fargo: eu adoro assassinatos. Na ficção, pelo menos. Fargo, derivada do filme homônimo dos irmãos Cohen e criada pelo brilhante Noah Hawley o mesmo da esquisitíssima Legion — , não deixa nada a dever para quem se interessa por cadáveres enquanto pontos de partida para refletir valores sociopolíticos e como pessoas simples e (aparentemente) sem grandes ambições funcionam em situações sangrentas e estapafúrdias. A primeira temporada é particularmente deliciosa; é tão coesa, bem executada e inteligente que fez eu me perguntar por que diabos ainda não a tinha visto.

The End of the F***ing World: a garota é ranzinza, rebelde e não quer saber de ficar por perto da família instável. O garoto “tem certeza” de que é um psicopata — e talvez seja mesmo, pois a todo momento ele parece estar perto de matar alguém. Ambos são um casal que foge de casa e se mete nas situações mais absurdas possíveis pelo caminho. Adaptada da história em quadrinhos de mesmo nome, a produção britânica The End of the F***ing World é uma comédia que capricha no sangue, no humor negro e no retrato do quão desinteressante a vida pode parecer ser quando se é jovem e se tem tanta vida pela frente. Que atire a primeira pedra quem já foi adolescente e não se animou nem um pouco com a ideia de ser adulto ao reparar no que está acontecendo ao seu redor.

Impossível deixar de perceber que

Mulheres e minorias em geral têm dominado: valores sociais colocados sob lupas, distopias e rebeliões, e terror e ficção científica levantam o que há de mais urgente nos debates políticos da realidade. Além disso, as produções em geral seguem realizadas pelas mãos mais habilidosas — atores, roteiristas, diretores e produtores de primeira linha estão à todo vapor.

Mal posso esperar por

Good Omens, Utopia, Watchmen, 8ª e última temporada de Game of Thrones, 3ª de Marvelous Mrs. Maisel, 2ª de Homecoming, 2ª de Killing Eve, Little Fires Everywhere, 3ª de Legion, Mrs. Fletcher, 3ª de Jessica Jones, 3ª de True Detective, spinoff de Game of Thrones, 2ª de American Gods, 7ª e última de Veep, 2ª de Mindhunter, 2ª de Big Little Lies, Devs, remake de Twilight Zone, Deadly Class, 3ª de Atlanta, 3ª de Handmaid’s Tale, Run, I Am the Night, Fosse/Verdon, 4ª de Fargo, Coisa Mais Linda, His Dark Materials, State of the Union, Dracula, The Vampire Chronicles, Y: The Last Man, 3ª de American Crime Story, Gentleman Jack, 2ª de Fleabag, The Nevers, The Undoing, Avenue 5, Unbelievable, The Boys, Hanna, 2ª de Chilling Adventures of Sabrina, Mrs. America, Kaos e The Politician. Tudo isso vem em 2019. O ano mal começou e eu já quero me acostumar com a ideia de que mais uma vez não darei conta.

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