Os melhores filmes que vi em 2016

Saoirse Ronan e Domhnall Gleeson em cena do ótimo ‘Brooklin’, dirigido por John Crawley e baseado no romance de Colm Tóibín (Divulgação/Fox Searchlight)

Brooklin é um dos filmes que eu mais gostei em 2016.

Nora Ephron foi um dos nomes mais ressonantes em meu ano. Pesquisei a carreira dela mais a fundo e comecei a ler Heartburn, seu romance autobiográfico — que eu já recomendo muito — , e vi Tudo É Cópia, documentário sobre Ephron feito pelo próprio filho dela, o jornalista Jacob Bernstein.

A Bruxa me surpreendeu, assim como muita gente que viu este filme de terror.

Minha adorada Bridget Jones retornou em uma nova aventura que me fez rir alto, talvez a ponto de ter incomodado algumas pessoas sentadas próximas de mim na sala de cinema.

Kleber Mendonça Filho me propiciou uma experiência de tensão e vertigem com Aquarius — e eu aposto que você também deve ter segurado a respiração assistindo a essa arrebatadora peça de cinema.

Abaixo, a lista dos melhores filmes que vi em 2016. Há títulos de diferentes gêneros e épocas. Todos eram inéditos para mim e foram colocados de acordo com a data em que os vi.

Carol (2015), de Todd Haynes
O Lagosta (The Lobster, 2015), de Yorgos Lanthimos
O Duplo (The Double, 2013), de Richard Ayoade
Incêndios (Incendies, 2010), de Denis Villeneuve
Brooklin (Brooklyn, 2015), de John Crowley
Spotlight: Segredos Revelados (Spotlight, 2015), de Tom McCarthy
Best of Enemies: Buckley vs. Vidal (2015), de Robert Gordon e Morgan Neville
A Bruxa (The Witch, 2015), de Robert Eggers
O Quarto de Jack (Room, 2015), de Lenny Abrahamson
Sintonia de Amor (Sleepless in Seattle, 1993), de Nora Ephron
Nora Ephron — Tudo É Cópia (Everything is Copy, 2015), de Jacob Bernstein e Nick Hooker
Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War, 2016), de Anthony e Joe Russo
Citizenfour (2014), de Laura Poitras
O Fantasma do Futuro (Kôkaku Kidôtai/Ghost in the Shell, 1995), de Mamoru Oshii
Anomalisa (2015), de Duke Johnson e Charlie Kaufman
É Proibido Fumar (2009), de Anna Muylaert
O Sol É para Todos (To Kill a Mockingbird, 1962), de Robert Mulligan
Procurando Dory (Finding Dory, 2016), de Andrew Stanton e Angus MacLane
O Que Fazemos nas Sombras (What We Do in the Shadows, 2014), de Taika Waititi e Jemaine Clement
Wall-E (2008), de Andrew Stanton
Julieta (2016), de Pedro Almodóvar
Conte Comigo (You Can Count on Me, 2000), de Kenneth Lonergan
Star Trek: Sem Fronteiras (Star Trek Beyond, 2016), de Justin Lin
Louca Obsessão (Misery, 1990), de Rob Reiner
Garota Sombria Caminha pela Noite (A Girl Walks Home Alone at Night, 2014), de Ana Lily Amirpour
Aquarius (2016), de Kleber Mendonça Filho
Amy (2015), de Asif Kapadia
Pacto Sinistro (Strangers on a Train, 1961), de Alfred Hitchcock
Monstros (Monsters, 2010), de Gareth Edwards
O Enigma de Outro Mundo (The Thing, 1982), de John Carpenter
O Bebê de Bridget Jones (Bridget Jones’s Baby, 2016), de Sharon Maguire
O Filho de Rambow (Son of Rambow, 2007), de Garth Jennings
Mensagem para Você (You’ve Got Mail, 1998), de Nora Ephron
Mãe Só Há Uma (2016), de Anna Muylaert
Ligados pelo Amor (Stuck in Love, 2012), de Josh Boone
A Chegada (Arrival, 2016), de Denis Villeneuve
O Despertar de Rita (Educating Rita, 1983), de Lewis Gilbert
E.T. — O Extraterrestre (E.T. the Extra-Terrestrial, 1982), de Steven Spielberg
Rogue One: Uma História Star Wars (Rogue One: A Star Wars Story, 2016), de Gareth Edwards
Os Agentes do Destino (The Adjustment Bureau, 2011), de George Nolfi 
Elle (2016), de Paul Verhoeven

Os prediletos

Brooklin

Baseado no romance homônimo de Colm Tóibín e adaptado por Nick Hornby, um de meus roteiristas favoritos, Brooklin usa sutilezas e humor leve para contar a história de Eilis (Saoirse Ronan, em desempenho fabuloso), uma garota que se muda do interior da Irlanda para Nova York com o objetivo de trabalhar e estudar.

Ela se instala no Brooklyn, onde faz conexões com outros imigrantes enquanto tenta se adaptar à nova vida. Ela engata um namoro com Tony (Emory Cohen), rapaz italiano que está encantado pela protagonista. No entanto, um imprevisto a faz voltar para a cidade natal, e lá, a garota reencontra Jim (Domhnall Gleeson) — o jovem irlandês desperta sentimentos em Eilis que a deixam dividida entre dois candidatos ao altar e duas vidas completamente diferentes pela frente.

Ambientado nos anos 1950, o longa dirigido por John Crowley (da série True Detective) resgata a memória dos forasteiros que ajudaram a construir a América hoje em via de ser liderada por Donald Trump. Como se as ótimas atuações do Ronan, Cohen e Gleeson não fossem o suficiente, a veterana Julie Waters brilha como a Sra. Kehoe, a rígida dona da pensão na qual Eilis mora em NY.

O romance de Tóibín, que por si só é formidável, foi adaptado com fidelidade e competência por Hornby, que já havia feito outro excelente trabalho em Educação (2009).

Aquarius

Sonia Braga oferece em Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, uma atuação vigorosa — e, agora, uma das mais importantes de sua carreira — como Clara.

A protagonista é dona de um apartamento no edifício que dá nome ao filme. Ela se recusa a vendê-lo para a empresa que planeja derrubar o prédio e levantar em seu lugar um empreendimento privado. Clara — jornalista aposentada, mãe de três filhos, avó e sobrevivente do câncer de mama — , então, passa a ser assediada pela empresa de maneira inimaginável.

A tensão de Aquarius é sufocante — mas é também o caminho pelo qual o diretor faz um incisivo e belo retrato da resistência e do apego aos direitos. Clara, mesmo com suas contradições e nuances, sinaliza em quem ela é o valor que a luta política tem.

Aquarius cai como uma luva para os tempos atuais, em que convicções falam mais alto que fatos — a democracia brasileira que o diga.

Eu tive a oportunidade de entrevistar o diretor e o elenco do longa para o HuffPost Brasil. Você pode ler a reportagem aqui.

A Chegada

Ainda falando de convicções que falam mais alto que fatos, A Chegada, ficção científica de Denis Villeneuve, também é pertinente para os dias atuais.

Se o diálogo parece ser algo quase morto, é justamente por meio dele que uma linguista, a pedido do exército dos Estados Unidos, tenta se comunicar com alienígenas que pousam na Terra.

No papel da acadêmica, Amy Adams mostra novamente porque é uma das principais atrizes que Hollywood tem na manga hoje. Villeneuve, por sua vez, registra em A Chegada suas capacidades que parecem não ter fim. Seu mais recente filme é estupendo — e nos presenteia com uma atriz e um diretor no ápice de suas respectivas carreiras.

O Que Fazemos nas Sombras

Os diretores Taika Waititi e Jemaine Clement unem o que há de melhor em comédias e filmes de vampiros no falso documentário O Que Fazemos nas Sombras. Melhor ainda: dão novo fôlego a este que é um dos gêneros mais peculiares do cinema.

O vampiro Viago, interpretado pelo próprio Waititi, recebe em sua sinistra casa uma equipe de documentaristas que gravam o dia a dia do protagonista e seus colegas, um bando de vampiros caricatos e de índole duvidosa.

No entanto, os conflitos por vezes tão humanos das criaturas faz com que a convivência na casa nem sempre seja fácil. O que não compromete, é claro, a enorme quantidade de diversão que todos têm juntos ali. O Que Fazemos nas Sombras é de chorar de rir.

Mal vejo a hora de ver Thor: Ragnarok, terceiro longa do deus do trovão da Marvel, que é dirigido por Waititi. O que será que esse cara tão inventivo fez com o super-herói?

Vamos descobrir isso neste ano — com um novo ciclo de filmes para ver.

Veja as listas de 2015, 2014, 2013 e 2012.