Não, você não é vagabundo

Não, você definitivamente não é vagabundo por não trabalhar no dia 28/04/2017.

Muito se falou durante a semana do que estaria por vir no dia de hoje (28/04). Nas redes sociais filtros para fotos de perfil foram colocados, textões foram escritos e amizades foram desfeitas. O pacote completo das discussões políticas de internet.

Fato é que assustadora quantidade de pessoas realmente acredita que greve é "coisa de vagabundo" e se pergunta, com a mais profunda sinceridade, porque não deixar manifestações como esta para um dia como o domingo - que é reconhecidamente uma data na qual poucos exercem suas funções no Brasil.

Antes de responder esse questionamento genuíno, no entanto, é necessário lembrar que a greve, ato de interromper certa atividade por um período de tempo com um objetivo claramente definido, remonta três séculos. Ou seja, muitos anos antes de pessoas demonstrarem sua insatisfação no Facebook com os brasileiros "preguiçosos" que evitarão o trabalho, protestos como o de hoje já existiam.

Sobre a data, objetivamente falando, a utilidade de uma manifestação na Avenida Paulista em dia de domingo, por exemplo, - a via é fechada para os pedestres no primeiro dia da semana - que não impacte em nada o cotidiano da população é comparável à função de um casaco às 13 horas em pleno deserto do Saara.

O ponto principal de um protesto, portanto, é a geração de um incômodo na sociedade. E é por isso que uma greve deve, necessariamente, fechar ruas e rodovias, parar aeroportos e rodoviárias para conseguir ser um evento relevante, que chame atenção para as pautas reinvindicadas.

Um dia, quando a história for contada, os "vagabundos" não serão chamados dessa forma.

Aos que quiserem trabalhar, sintam-se à vontade. Só saibam que grevista não é, e nunca foi, sinônimo de vagabundo. O direito de fazer greve é lei, e isso é indiscutível.

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