SJSP homenageia Audálio Dantas

O jornalista Audálio Dantas foi homenageado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (SJSP), ontem (08/07), no dia em que completou 88 anos. A cerimônia ocorreu na sede da organização, no centro de São Paulo.

Aos gritos de “Dá-lhe Audálio!”, o tributo, uma das celebrações dos 80 anos do Sindicato(1937–2017), contou com a presença da cartunista Laerte, do jornalista Juca Kfouri, do ex-presidente do PT José Genoíno, além de alunos e professores da USP, historiadores e membros sindicais. “Nem aqueles que viveram os horrores da ditadura nem aqueles que estão chegando agora têm noção da emoção que sinto neste momento”, disse o homenageado, no início do discurso.

Alagoano de Tanque D´Arca, Audálio iniciou sua trajetória profissional nos anos 50. Marcou seu nome no jornalismo com uma série de reportagens sobre o Nordeste brasileiro publicadas na revista Realidade. Foi ele quem descobriu, em abril 1958, o talento da escritora Carolina Maria de Jesus. Graças ao seu incentivo, Carolina lançou, dois anos depois, “Quarto de Desejo”, o seu livro mais renomado.

“O Brasil é eternamente grato a ele. Audálio não é um jornalista que virou militante e fez o que fez. É um militante que se tornou um jornalista magnífico e que, ao lado de outros três mosqueteiros (o arcebispo Dom Paulo Evaristo Arns, o pastor Jaime Wright e o rabino Henry Sobel) foram os responsáveis pelo começo do fim do horror”, discursou Juca Kfouri.

Audálio presidiu o SJSP de 1975 a 1978, no momento em que a entidade assumiu postura crítica à ditadura militar. Durante a sua gestão, Vladimir Herzog foi morto pelos militares, o que se tornaria o marco inicial da queda do regime (ainda levaria, contudo, uma década para a redemocratização).

Deputado federal pelo extinto MDB, Audálio foi considerado o melhor parlamentar do país. Presidiu também a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), o primeiro a ser eleito pelo voto direto. Atualmente exerce a vice-presidência da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

“É um dos jornalistas mais competentes que eu conheço. Ele tem uma virtude, desempenhada tanto na imprensa quanto na vida política, que é a de falar claro. Não enrola discursos. Tem o papo reto. Explica coisas complexas de maneira inteligível e direta. E isso é inestimável, sobretudo nesses tempos de mesóclises que a gente tá sendo obrigado a aturar”, afirmou Laerte na saída do evento.

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