Quem ganhou a Comic Con Experience 2016?

Descrição da Imagem: Eu e a Daielyn fazendo pose de vitória ao lado de três grandes estátuas das Meninas Super Poderosas.

É o terceiro ano que eu e a Daielyn vamos à CCXP e presenciamos o quanto o evento cresceu.

Retrospectiva

Me recordo da sensação da grande aposta que fora o primeiro ano em 2014, o slogan era #VaiSerÉpico e realmente foi, claro que houve problemas, porém a sensação de novidade, de fazer parte de um evento que nunca havia acontecido com aquelas proporções no Brasil, foi maior. Nenhuma outra edição será melhor que a primeira para mim, uma série de coincidências nos fez encontrarmos autores que adorávamos, conseguimos entrar no auditório, ver um trailer em primeira mão, fizemos muitas compras, conhecemos artistas que acompanhávamos pelas redes sociais e foi tudo muito frenético e memorável, principalmente ao lado da minha companheira de todas as aventuras, a Dai.

Em 2015 novamente embarcamos em um avião para uma segunda visita à CCXP e muito da primeira edição estava de volta, agora com mais lançamentos de quadrinhos e anúncios exclusivos dos grandes estúdios que tinham mais segurança em participar. Porém com a estrutura da São Paulo Expo em reforma e com um maior público algumas frustrações foram inevitáveis, não conseguimos ir ao auditório e surgiram diversos relatos de problemas com a organização e com a imprensa (vide ao caso com o Pânico na Band que a CCXP felizmente repudiou).

E 2016?

Não escrevi textos sobre os outros anos para poder comparar exatamente, porém certamente alguns aspectos se destacaram nessa edição. A primeira foi a segurança de um investimento com retorno, se você acompanha a cultura nerd/geek no Brasil em geral, não há dia do evento em que não valeria o ingresso.

  • Se você acompanha gameplays e youtubers famosos a CCXP é pra você;
  • Se você curte animes/mangés a CCXP é pra você;
  • Se você lê quadrinhos, tem coleções e tem vontade de apoiar os artistas nacionais, a CCXP é para você;
  • Se você adora os blockbusters nerds certamente a CCXP também é para você;

A CCXP deixou de ser uma aposta, tanto que seu slogan esse ano não foi #VaiSerÉpico, foi #VivaOÉpico.

Pontos Positivos

Uma das melhores coisas que o evento fez foi abraçar o Artist’s Alley, dessa vez promovendo como a maior reunião de artistas em uma convenção em todo o mundo, a ‘Alameda dos Artistas’ estava no centro da São Paulo Expo e foi o coração da CCXP, não só por estar mais aparente à todos que entravam e por seu tamanho, mas pela divulgação que o Omelete fez questão em fazer sobre os artistas que também contribuem para a Comic Con ser o que ela é.

Descrição da imagem: eu tirando foto ao lado do Fábio Moon e Grabirel Bá, segurando a HQ Daytripper no stand deles no Artists Alley.

Em 2016, nitidamente preocupada com os problemas do ano anterior e com uma estrutura bem melhor, a localização dos auditórios mudou e criou-se uma fila exclusiva para quem queria assistir às atrações, facilitando muito tanto o acesso, quanto o conforto. Na quinta e na sexta (dias em que fomos) conseguiríamos certamente entrar no auditório sem precisar madrugar na fila.

Descrição da Imagem: Um auditório cheio de pessoas sentadas de frente a um enorme telão em uma parede repleta de canos iluminados com cores douradas e coberto de holofotes. No telão aparece a atriz Milla Jovovich e Paul W. S. Anderson, diretor de Resident Evil 5.

O auditório Cinemark (o principal) foi um show à parte, lindo e confortável, mais aconchegante para quem desejava passar o dia assistindo aos conteúdos disponibilizado pelos estúdios (sim, foi foda assitir o teaser trailer de Homem-aranha: de Volta ao Lar)

Descrição da Imagem: Vitrine da Harry Potter Store com miniatura do castelo e do Expresso de Hogwarts; Funko Pop do Dobby, Harry Potter, Hermino, Dumbledore e Hagrid; Camisa do Patrono do Harry e das casas de Hogwarts; e cadernetas do mapa do maroto.

Uma novidade literalmente aguardada foi a Harry Potter Store, dona da maior fila dos stands, que, vendendo produtos oficiais da série, na quinta-feira teve seu estoque esgotado em 4 horas de evento.

Descrição da Imagem: Eu contidamente feliz em pé a frente de um enorme cartaz com uma ilustração do Hellboy.

Para mim, os stands que mais se destacaram foram a Mythos Editora (com seus encadernados do Hellboy), a JBC (com inúmeros mangás e lançamento de Ghost in the Shell) e a Riachuelo Geek (com camisetas de super-heróis, Harry Potter, Game of Thrones e Star Wars), as únicas lojas que realmente ofereciam bons descontos (algo raro no evento).

Grande destaque deve ser conferido ao castelinho das editoras Draco/Jambô que também compartilharam espaço em 2015 e esse ano estavam em uma ótima localização e oferecendo o que há de melhor de conteúdo de RPG e literatura nacional. Inclusive com sessões de autógrafos do grande autor de livros-jogos de fantasia Ian Livingstone que veio ao Brasil exclusivamente para o evento e tratou com muito carinho todos os fãs que levaram suas raras edições de livros-jogos.

Quem nitidamente roubou a cena (assim como ano passado) foi a Netflix, trazendo artistas e conteúdo exclusivo nos auditórios e várias brincadeiras e prêmios em seus stands.

Tão grande quanto a locadora online era o conteúdo sobre o universo da Turma da Mônica. Não era apenas um dos stands mais atuais e representativos da CCXP, com a Monica e a campanha ‘Toda menina é uma dona da Rua’, havia, junto à Maurício de Souza Produções, anúncios de novas hqs, novos desenhos e novos filmes!

E sobre o castelo do Omelete. Bom, deixarei esta foto para ilustrar.

Descrição da imagem: Eu sorridente ao lada da cabeça enorme de um dragão vermelho do castelo do Omelete.

Pontos negativos

Claramente algo impeditivo para muitas pessoas é o preço dos produtos vendidos pela maioria das lojas, poucas ofereceram descontos e muitas estavam com mercadorias com preço maior que o valor do ano passado(!).

Descrição da imagem: o figurino de Newt Scamander em um display de vidro a frente de uma tenda de tecido branco.

O Stand da Warner, que estava maravilhoso em 2015 e era responsável por receber quem entrava no evento, este ano estava apagado, com uma péssima escolha de estrutura (tendas circulares cobertas por pano branco) desvalorizando os ambientes para fotos com temáticas dos filmes. O oposto do que ocorreu nos stands bem montados da Disney, Sony e Fox.

No entanto, o que mais me incomoda é: o grandes estúdios não mostram nada sobre coisas que já lançaram, provavelmente se o evento fosse 3 semanas atrás o stand da Warner estaria repleto de Animais Fantásticos e Onde Habitam e, se Moana já não estivesse estreado nos EUA teríamos muitas coisas sobre o filme, mesmo que com sua pré-estreia ocorrendo na CCXP. Vejamos a Netflix que aposta em atividades sobre suas séries já consagradas, os fãs também querem ver material daquilo que já consumiram!

Veredito

A CCXP 2016 fincou a bandeira no território e definitivamente se consolidou no Brasil, os organizadores amam o que fazem tudo que conseguiram foi com muito suor, é esperado cada vez mais do evento e seu crescimento traz consigo mais estúdios encontrando oportunidades com o público brasileiro. Definitivamente o mais importante é o espaço conferido ao conteúdo nacional, desconheço os custos e incentivos dados, porém ter acesso em um mesmo lugar à tantos artistas independentes é muito bom de se ver e ver uma ressurgimento (de quem nunca desapareceu) da Turma da Mônica com um novo ar para um produção brasileira é revigorante. Desejo que mais espaço seja dado também à literatura independente no evento, por enquanto dominada pelas grandes editoras e que a CCXP torne-se cada vez mais acessível a jovens e à sociedade, pois conteúdo de qualidade e um ambiente bem estruturado ela já mostrou que consegue trazer.

PS: Menções honrosas que não tratei no texto porque não pude conferir:

  • Encontro nacional do podcast (divulgaram que isso ia acontecer em cima da hora para o dia que já havia acabado os ingressos e deixou muita gente na vontade, inclusive eu, fica o puxão de orelha pra quem organizou).
  • O painel “Furiosas: Mulheres que chutem bundas” com a presença da Rebeca Puig do Collant sem Decote, queria muito ter ido.
  • O painel “Mestres do RPG: Ian Livingstone” onde o próprio contou sua trajetória e como praticamente fundou o RPG ao lado de Steve Jackson.
  • Tentamos 4 vezes conseguir de brinde a Dog Tag do Logan no stand da Fox, era muito difícil, fiquei triste.
  • E meu lado marvete iria adorar ter assistido o trailer de Guardiões da Galáxia 2 apresentado pelo próprio James Gunn no sábado.
Descrição da Imagem: Eu ao lado da Daielyn posando pra foto em frente à um toca-fitas gigante com a fita ‘Awesome Mix Vol. 2’ promovendo o filme Guardiões da Galáxia 2.