As ideias me surgem, eu não as busco. Sei que elas estão sempre por aí em diálogos, gestos ou até mesmo na falta de gestos. Não peço ajuda aos meus sonhos. Sou incapaz de lembrar, em questão de horas, se o carro está no estacionamento da frente próximo daquela árvore mais para a direita ou talvez na parte de trás do estacionamento, próximo também daquela árvore de mesmo formato — hum, talvez esteja na frente, pois hoje havia vagas. Perceba: árvores são bons pontos de referência mais que lugar de sombra.

De alguma maneira, tudo que vejo fica escondido em mim. Eu absorvo o mundo, eu escondo o que vi. Empurro sem economizar a ideia que vem e depois escorre, esfarela-se, vira pó de biscoito na cama, digo, no sofá, bem naquela trincheira, onde será esquecida para só depois ser removida ou retirada por outras pessoas.

Minhas ideias preenchem espaços pequenos, jamais serviriam para um livro. Sou um todo de pedaços, um amontoado de ideias que me preenchem. Sempre foi assim. Escrevo capítulos abreviados, muitas vezes sequer poderiam ser chamados de capítulos. Meus olhos são o empurrão que minhas mãos necessitam para escrever. Não consigo falar com a imaginação. Existe uma barreira entre nós chamada incomunicabilidade que não posso soletrar. Por não lidar com minha imaginação, não sou bom em fazer longas viagens. Vivo de passos curtos. Troco, na vida, as reticências por pontos finais.

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