Preview da temporada 2017 — Boston Red Sox

Boston Red Sox

Com uma campanha de 93–69 na temporada passada, 2017 vai ser a primeira desde 2002 sem David Ortiz no elenco. O dominicano que rebateu para .315 AVG / .401 OBP / .620 SLG / 1.021 OPS além de 38 HR e 127 RBIs na última temporada da sua carreira, no auge dos seus 41 anos, com certeza vai fazer falta aos meias vermelhas. A aposentadoria de Ortiz deixa um vazio irreparável no vestiário do clube. Existem poucos jogadores nos dias de hoje que conseguiam reunir tanta liderança, carisma e respeito ao redor da liga. O fato é: por mais que Boston tente, isso não vai conseguir ser reparado tão cedo. Mas e quanto a produção ofensiva de Ortiz? O quanto sua saída vai impactar o ataque de Boston?

Hanley Ramirez vai herdar não só o armário no vestiário que pertencia a Ortiz, mas também a sua vaga no lineup como rebatedor designado. Apesar de nos últimos anos a produção ofensiva de Ramirez ficar bem abaixo do que se espera de um jogador que recebe 22 milhões de dólares por ano, a temporada de 2016 acabou com .286 AVG / .361 OBP / .505 SLG. Um grande avanço em relação a temporada 2015, em que o mesmo rebateu para .246 AVG /.291 OBP /.426 SLG, uma das piores da sua carreira. A maior permanência como rebatedor designado deve também ser menos custoso para Boston, que nunca esperou (nem deveria) exatamente uma grande produção da luva de Ramirez.

A posição de primeira base deve ser preenchida pelo recém chegado Mitch Moreland, ganhador do prêmio de Luva de Ouro do ano passado. Apesar da ajuda defensiva que ele traz, Boston não pode contar muito com o bastão de Moreland, já que na carreira ele tem .254 AVG/.315 OBP/.438 SLGm, estatísticas não muito animadoras.

Ainda no infield, as posições de shortstop e segunda base deverão continuar sendo ocupadas por Xander Bogaerts e Dustin Pedroia. Bogaerts teve um ano de altos e baixo na temporada passada, na primeira metade teve números de allstar e sofreu uma terrível queda no seu rendimento a partir de agosto. Pedroia, por outro lado, conseguiu se manter saudável e ser uma das principais força no lineup de Boston, conseguindo um total de 201 rebatidas durante a temporada, o quarto jogador com mais rebatidas na liga. A grande incógnita continua sendo na terceira base, Pablo Sandoval vai FINALMENTE ficar em forma e saudável para conseguir jogar? A pré-temporada está sendo recheada de fotos de Sandoval fazendo exercícios e visivelmente mais magro. O manager do time, John Farrell, já falou que o venezuelano terá que lutar para ter a vaga na 3B de volta. Resta saber qual jogador nós teremos, o PANDA da época do San Francisco Giants ou o jogador incapaz de se manter saudável pelo qual os Red Sox pagaram 95 milhões de dólares por 5 anos.

É no outfield, no entanto, que deve vir a maior ajuda ofensiva que Boston vai precisar para continuar como uma das grandes forças ofensivas do beisebol. O trio de defensores externos composto por Andrew Benintendi, Jackie Bradley Jr e Mookie Betts não chama atenção apenas por ser formado por praticamente PIRRALHOS (22, 26 e 24 anos, respectivamente), eles também reúnem, possivelmente, a maior quantidade de talento no campo externo de um time da MLB. Benintendi, um prospecto top-5 para a maioria dos jornalistas, rebateu para sólidos .295/.359/.476 nos seus primeiros 105 at-bats nas grandes ligas e vai oficialmente para sua temporada de novato na temporada de 2017. Já Jackie Bradley Jr tem o terceiro melhor WAR do time, atrás apenas de Dustin Pedroia e Mookie Betts. Bradley, que vem melhorando substantivamente seu jogo ofensivo, já está estabelecido como um dos melhores defensores centrais da liga e deve ganhar pelo menos uma Luva de Ouro nas temporadas que virão. De Mookie Betts podemos esperar o que ele vem nos mostrando nos últimos anos, um finalista do prêmio de MVP da Liga Americana e o líder do time em WAR com 7.8, número que o coloca com o terceiro melhor WAR de toda a liga, perdendo apenas para Mike Trout e Kris Bryant. Juntos, Benintendi, Bradley Jr e Betts vão compor o outfield mais completo da liga, tanto em beisebol quanto em passos de dança.

No montinho, o time tratou de fazer a maior contratação da offseason no beisebol e isso significa trazer Chris Sale, que chegou do Chicago White Sox em troca de MILHARES de jovens jogadores dos Red Sox, dentre eles, o SS Yoan Moncada, um preço a princípio justo por um dos melhores arremessadores do beisebol. Sale desembarca em Boston com um ERA na carreira de 3.00 e vem para reforçar uma rotação que já conta com David Price e o ganhador do prêmio Cy Young da Liga Americana na última temporada, Rick Porcello. O time deve contar com boas atuações de Price, que vem de uma temporada abaixo do esperado, terminando com um ERA de 3.99, seu maior desde 2009. Os números de Price na última temporada não são ruins, pelo contrário, ele conseguiu eliminar 228 rebatedores por strikeout, sétima melhor marca da liga. O canhoto também foi o arremessador que mais jogou em toda a temporada regular, com 230 entradas arremessadas, abrindo 35 jogos e enfrentando um total de 951 rebatedores. Apesar disso, Price vai ter que mostrar um pouco mais de serviço para justificar o contrato MONSTRUOSO que ele assinou para jogar em Boston, um contrato que garante para ele 30 milhões de dólares por ano.

Porcello traz consigo a pergunta que todos querem saber a resposta, será que ele vai conseguir repetir a performance que lhe deu o prêmio de melhor arremessador da Liga Americana? Um texto do Baseball Prospectus fala de uma situação curiosa, os números do destro na temporada em que ele ganhou o Cy Young são muito parecidos com os números da temporada de 2015, onde Porcello flertou com a triple-A. Isso nos faz lembrar o quão aleatório pode ser esse jogo, as vezes arremessar uma boa bola não é o suficiente. A performance dor arremessador mostra que ele é um excelente jogador e que sobre isso não há duvidas, mas a questão é: a sorte vai estar do lado dele?

Ainda se tratando de arremessadores, o bullpen do time ainda é sua maior fraqueza. Por mais que conte com o excelente Craig Kimbrel a maioria das peças ainda deixa a desejar, principalmente se formos comparar com a força da rotação de seus abridores. No entanto, alguns dos arremessadores vem fazendo melhorias significativas no seu jogo, de forma que veremos um bullpen melhor do que nos anos anteriores, o que não é muita coisa, mas é um começo. Nomes como Matt Barnes e Joe Kelly tem apresentado grande melhora. Barnes diminui significativamente o tanto de home-runs que cede assim como o número de walks. Já Kelly, deve ser melhor utilizado vindo do bullpen, poupando-o de suas últimas aparições como abridor, que tem sido desastrosas. Como reliever, Kelly teve um ERA 1.02 na temporada passada. A grande movimentação de Boston para seus relievers, no entanto, vem de Milwaukee e atende pelo nome de Tyler Thornburg. O destro vem de sua melhor temporada da carreira, o que significa um WHIP de 0.940 e um FIP de 2.83 em 67 entradas arremessadas. Se Thornburg manter seus números tão bons quanto a temporada passada, as oitavas entradas terão um dono (já que o fechador ainda vai ser Kimbrel, é claro) e certamente terá sido uma excelente aquisição para os meias vermelhas do GM Dave Dombrowski, que vinha sofrendo nos últimos tempos para melhorar esse setor do time.

Por mais variáveis que possam haver na temporada dos Red Sox, há algumas coisas que podemos dar como certo. O time é relativamente jovem e isso já é motivo o suficiente para prestarmos atenção nele. Outro fato é que eles com certeza vão ser um dos melhores ataques da liga, assim como foram ano passado. Junte isso com uma das melhores rotações do beisebol e você tem um dos favoritos para chegar na World Series. O bullpen vai acompanhar o o nível do time? Isso é algo que descobriremos durante a temporada, mas desde já, prestem atenção no Boston Red Sox.

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