Anastasia #6

A base de Bacamarte estava em Butaninski e Anastasia teria que ir para lá se quisesse encontrar a verdade. Mas não queria deixar Potrus, mesmo que ele tenha dito que ela tinha que seguir a vida, que tinha que procurar sua própria vida. O homem foi seu pai durante todos esses anos. Nunca escondeu a verdade de ter sido adotada mas não mudava as coisas, ele a amava e ela era sua filha.

“Vai deixar o metal fraco se queimar mais.” Potrus acordou Ana.

Ela trabalhava com um sabre, sem emergência pois não era encomenda, era só para expor na loja. Ela tirou a lamina incandescente e aproximou do rosto, o calor era confortável para ela, mas insuportável para outros. Sentiria falta daquele calor, dos músculos doloridos que indicavam trabalho ininterrupto. Espera, mas eu nem me decidi ainda. Ainda sobrava um pouco de dúvida mas no fundo a decisão era clara, só não queria admitir.

“Como é a base de Bacamarte?” Ana perguntou casualmente.

“Uma cidadela nuvial pequena. Usa a tecnologia de Andrew Ryan para se manter flutuando. Bacamarte a carrega para áreas que ele planeja saquear por um tempo.”

“Só isso?”

Potrus se virou e um sorriso se esticou em seu rosto. Colocou a espiga que estava formando e tirou as luvas.

“Dizem que Bacamarte estava aumentando sua frota. Já tinha seu Balão-de-guerra Segundo Sol e com alguns meses reunira três aeronáus. Mas combustível estava sendo um problema que tinha que ser resolvido rápido. Barris e mais barris de óleo de baleia eram carregados no próprio Segundo Sol, mas estava fazendo muito trabalho para pouca velocidade, perderam alguns cargueiros preciosos por não serem rápidos o suficiente.”

“Por que não usaram cristais?”

“Por que piratas não instruídos não eram muito delicados com as cargas. Bacamarte separou um aeronáu só para carregar cristais para abastecer os compartimentos de gás. E você sabe como cristais funcionam. Um cristal de um elemento super concentrado com outro cristal que reagem quimicamente. No caso usavam um cristal azul e outro branco, entrando em contato criavam vapor, mesma coisa que usamos para nossa energia elétrica. Mas um sonso deixou dois compartimentos caírem e…” Fez um barulho de explosão com a boca e expandiu os braços representando a pobre nave se destruindo.

“Então ele ouviu falar que Andrew Ryan havia otimizado o combustível para uma grande área flutuante que não se movimentava tanto, criando Vetergrado. Espiões descobriram que Bacamarte planejava ter uma cidadela flutuante para si, então protegeram o Dr. Ryan de todas as formas possíveis. Mas Bacamarate raramente pode ser premeditado.” Potrus pegou uma placa grande de argila e colocou sobre a mesa. “Silenciosamente durante uma noite ele foi até Vetergrado. Dr. Ryan estava protegido, mas ele foi ao lado oposto da cidade. Os alarmes soaram e a guarda de Vetergrado se posicionou em camadas pelo caminho de onde Bacamarte estava vindo até Dr. Ryan.” Potrus pegou um carvão e desenhou dois círculos, representando Bacamarte em um lado e Andrew Ryan no outro. Os soldados foram representados como linhas curvas circundando Dr. Ryan. “Eles achavam que o objetivo ainda era o cientista inovador. Mas não perceberam onde Bacamarte havia atracado. Seus homens e mulheres desembarcaram na área da cidade onde um dois cinco geradores estava operando. Queimaram algumas casas, assustaram os civis, mataram alguns que não queriam obedecer. Foi aí…” Potrus pegou seu martelo e alguns pregos grandes e começou a finca-los no bloco de argila.

“Ele mandou plantarem explosivos poderosos em pontos específicos. Um aqui!” Pregou em um canto. “Outro aqui!” Mais um, com força. “Outro ali e ali!” A cada martelada a mesa tremia e a história se intensificava. “Agora só faltava explodir.” Potrus abriu um sorriso e bateu no prego na extrema direita. Mas não bateu em cima, bateu na lateral, fazendo uma rachadura que seguiu o caminho dos pregos. “Após a explosão, enganchou alguns cabos e puxou aquele pedaço para si.” Posicionou as pontas dos dedos no pedaço que se separara e puxou. “É claro que a guarda de Vetergrado tinha sua frota aérea, mas eram surpreendentemente fracos. Bacamarte nem mesmo acendeu seu balão em chamas.”

Bacamarte realmente não se parecia com um qualquer. Quando queria algo, ia atrás. Mesmo sendo um monstro que destruiu tantas vidas, ninguém poderia dizer do contrário. O homem tinha perseverança.

Anastasia pensou sobre aquilo durante o resto do dia. Como ela conseguiria informação sobre a mãe em um lugar como aquele? Se Bacamarte era um monstro o homem que engravidou sua mãe também devia ser. Quem garante que alguém la dentro daria a ela as respostas que queria? Pelo menos acho que vou ganhar um pouco de respeito se enfrentar eles. Do mesmo jeito que Bacamarte, estou correndo atrás do que quero.

Ana dizia que não tinha certeza do que faria, mas a decisão já estava feita. Por que era tão difícil percebe-la? Por que a sensação de que estava abandonando Potrus era forte, forte demais. Ela sempre acreditou que sua mãe a abandonara por puro egoísmo, agora estava pronta para deixar seu pai para procurar uma resposta DELA. Era de alguma forma, egoísta. Isso fazia seu coração pesar em culpa.

Ana estava conversando com Vladimir do lado de fora. Apenas sobre coisas fúteis para esvaziar a cabeça. Quando ela voltou para dentro, Potrus estava novamente com um caneco de cerveja vermelha, apoiado na janela de Ana.

“Aqui vai ser o lugar oficial de conversas sérias?” Perguntou se aproximando e pegando seu caneco.

“Pelo jeito tem precisado ultimamente.” Potrus riu gentilmente. “Se você não sair daqui logo, terei que te expulsar.” Ele sorriu para mostrar que não falava sério sobre a expulsão, mas Ana sabia que ele queria que ela fosse seguir o que ela queria.

“Não quero te deixar. E se eu nunca mais voltar?”

“Eu vou atrás de você e te dou um tapa na orelha.” Ele bateu têmpora dele levemente como dedo.

Ana suspirou, olhou para o céu estrelado e tentou imaginar como seria encontrar sua mãe. Imaginou as duas se abraçando e chorando. A mulher pedindo desculpa para a menina e ela dizendo que não havia nada para perdoar. Ela também imaginou como seria encontrar o “pai”, um homem feio que não fazia ideia que tinha uma filha, quando descobriu agiu com o mesmo descaso que agiria quando descobria que havia matado o pai de uma família. Como ela trocaria Potrus por esta imagem paterna?

“Seu pai estava na tripulação de Bacamarte, mas imagino que já saiba disso. Descobriu alguma coisa sobre sua mãe?” O tom estava mais sério dessa vez.

“Nada concreto. O mais perto que cheguei foi esse cara. E, por favor, não chame ele de meu pai.”

Potrus riu um pouco mais alto dessa vez. “Fico feliz em ouvir essa objeção.” Eles se olharam e se abraçaram. “Quando pensa em ir?”

“Não sei.”

“Eu quero que fique, mas isso é meu desejo egoísta. Você precisa ir. Não que eu acredite que encontrar a sua mãe será toda essa diferença que talvez você esteja esperando, mas por que você não pertence a Arztotska, você é maior que isso.”

Os dois conversam por mais uns minutos, até bem tarde. Se abraçaram mais uma vez e foram dormir. Dentro de uma semana, Anastasia se decidiu e começou a se preparar para sua partida.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.