Podem me chamar de estranho, eu não ligo

Pode me chamar como quiser: estranho, louco, trouxa ou qualquer outra denominação que achar melhor. Eu não ligo, de verdade. Noto como as pessoas me observam e até já ouvi alguns comentários sobre o que faço ou deixo de fazer e, de verdade, não dou a mínima para o que escuto por aí. Na verdade, até dou risada de algumas coisas que ouço.

Da mesma maneira que sei o quanto me acham estranho por algumas atitudes (principalmente se tratando de relacionamentos), eu vejo um amontoado de pessoas iguais à minha volta, que se vestem de orgulho e preenchem-se com joguinhos psicológicos, tudo isso na tentativa de sair como “vitorioso” nesse jogo que transformaram as relações. Um jogo falho, no qual “ganha” aquele que conseguir se importar menos, se distanciar mais e, por fim, demonstrar o mínimo possível. Quanta tolice!

É nesse sentido em que sou visto como estranho, trouxa e afins. E qual o problema? Sabe, pela minha lógica, não faz sentido me conter, esconder o que tá dentro de mim e muito menos evitar de fazer coisas por causa de orgulho ou por jogos inexistentes que só servem para complicar as coisas. A vida é um instante, não tenho tempo para complicar o simples. Não me importo em ser visto com olhos tortos, o errado seria me distorcer para agradar esses olhares.

Não entendo o porquê acham tão errada a ideia de um homem e uma mulher passarem uma madrugada conversando apenas, ou assistirem um filme juntos sem terminar em sexo. Enxergam malícia nessas coisas e, caso elas aconteçam, o cara é visto como trouxa, lerdo e estranho. Isso quando não vem aquele parente distante chamá-lo de “boiola”, frouxo e afins. “Brincadeiras” que já não me afetam em nenhum sentido. Enquanto olham com maldade para essas atitudes, eu as vejo como demonstrações mais espontâneas de afeto e respeito, afinal, é bom ter uma companhia que não quer apenas te usar, não é?

Já passei muitas noites em claro na companhia de alguma guria, e não me arrependo. Dessas noites levo comigo grandes lembranças, de conversas e risadas sinceras, de carinho, atenção e cuidado um com o outro. Levo também as brincadeiras singulares, os instantes tão peculiares em que um conseguia habitar no mundo do outro e o único efeito é o afeto.

Enfim, podem me chamar como quiserem, eu não ligo. E mais, não vai ser a malícia e desafeto dos outros que vão me fazer parar de agir como “trouxa”, como já escutei por aí. Enquanto houver quem se importe com essas coisas simples, escreverei sobre elas, me farei presente em suas vidas e terão minha companhia sempre que quiserem. E aos que não se importam, bom, quanto mais distância, melhor.

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