O Egoísmo dos Alunos

Por Caio Swan de Freitas

Quando foi a última vez que você reclamou de um professor com seus amigos?

E quando foi a última vez que você apresentou a algum professor uma proposta concreta para melhoria do que gera suas reclamações?

Sim, os alunos são egoístas de modo geral.

Egoístas por muitas vezes não ver o lado do professor e por não se importar com os próximos alunos na matéria.

“Sei que vocês estão tão animados quanto eu pra aula de hoje.”

O cara acha a aula chata, leva o semestre a trancos e barrancos e no período seguinte só fica falando mal do professor, mas “agora é problema dos outros, já passei”.

Pode até ter professor que não tá nem aí pra aula, mas tá longe de serem todos.

Tem professores super interessados que simplesmente ainda não encontraram o melhor jeito de dar aula. Já parou pra pensar quanto é difícil fazer isso?

O professor precisa agradar, ao mesmo tempo, alunos com os mais variados estilos e velocidades de aprendizado. Quando acha que está no caminho certo vêm as clássicas perguntas pra acabar com a motivação de dar aula:

Vale ponto?

Pode dar uma aliviada na prova?

Fazendo isso, o aluno está sendo tão babaca com o professor preocupado quanto o professor desinteressado é babaca com o aluno.

Sobre nota não ser tudo eu falei no texto A (des)importância do CR na universidade.

Vamos deixar de ser egoístas então?

O fato é que precisa acabar aquela história do aluno reclamar e se consolar que a matéria é inútil. Maneiras de mudar não faltam.

Para isso tem duas explicações, ela é não é bem lecionada ou não deveria estar no currículo.

Se não deveria estar ali, tem como fazer uma reforma curricular e tirar ela dali. (Por mais difícil que seja como conto no texto Minhas mudanças para a universidade (parte 2))

Se você acha que a aula tinha que estar ali, mas não do jeito que é, não é difícil tentar ajudar na mudança.

Algumas universidades já até tem uma avaliação de professores institucionalizada. Se funciona é outra história, aí varia de caso a caso.

Mas qual é a dificuldade de mandar um email pro professor com algumas sugestões? Tem gente que tem tanto medo de falar com professor que parece até que eles mordem. O “não” você já tem.

Como autorreflexão desse texto, também sou egoísta, mas quero deixar de ser.

Virei representante discente no intuito de diminuir isso sendo mais participativo, mas posso fazer contribuições mais diretas e pontuais do que participar de reuniões e resolver assuntos mais gerais.

Meu período acabou sexta-feira, assim que receber as notas finais vou enviar um email a cada um dos meus professores. Esse email terá os pontos positivos e as melhorias que eu considero viáveis para a matéria.

E não é só “Professor, mais trabalhos e menos provas por favor!”. Falar assim é fácil, joga a responsabilidade toda pra cima deles e fica fácil reclamar depois que nada é feito.

Porque não chegar com uma proposta de trabalho pronta? Pode até ser discutido e mudado, mas não é muito mais fácil de ir pra frente?

Depois das notas saírem porque professor, com razão, é escaldado com alunos que vem cheio das propostas, mas com a segunda intenção de mais alguns pontinhos extras.

Vou ser ignorado por alguns? Bem provável, até imagino quais serão.

Podem me considerar arrogante por ter feito a matéria uma vez e querer propor uma mudança ao professor que leciona a disciplina a milhões de anos? Infelizmente tem gente que ainda não sabe receber feedbacks…

Não ligo, todos receberão um email meu e alguns responderão.

E o que tenho a perder? Falei ali em cima, o “não” já tenho se não fizer nada.

O que você teria a perder se fizesse o mesmo? Isso aí, nada também.

Por outro lado, você também não tem muito a ganhar, essa matéria já foi. Qual a motivação pra isso? Ajuda ao próximo pura e simplesmente.

Seja para seus calouros o veterano que você queria ter e acabe com o egoísmo na sua vida de estudante.


Curtiu o texto? Dá uma curtida nele apertando esse coração ❤ aí embaixo. Isso ajuda bastante a divulgar o texto nessa plataforma. Agradecido viu =)