Um Novo Conceito de Recepção de Calouros

Por Caio Swan de Freitas

Eu já falei sobre isso em três textos anteriores (aqui, aqui e aqui). Essa é uma história sobre o resultado do que foi desenvolvido e como minhas teorias sobre recepção de calouros foram confirmadas.

Dando uma resumida:

Sou completamente contra trotes, aquelas demonstrações gratuitas e desnecessárias de uma inexistente superioridade de veteranos sobre calouros contando com humilhações e brincadeiras sem graça.

Cansei de reclamar e dar ideias, eu tinha que criar algo e fazer acontecer pra mostrar como pode melhorar. Nasceu assim a competição de construir barquinhos, pra integrar calouros e veteranos numa brincadeira construtiva para futuros engenheiros navais.

Pois bem, o pessoal da Naval que organiza a recepção comprou minha ideia e deixou na minha mão pra fazer acontecer. Depois de 3 meses de aprimoramento, finalmente chegou a primeira semana de aula do período de 2016.1.

A competição

Barquinho de exemplo

Todos os calouros, em duplas, deveriam construir um barquinho catamarã que depois velejaria na piscina. O mais rápido ganhava, com direito a duas tentativas.

Pra começar entreguei a todos os blocos de espuma rígida que seriam lixados pra dar forma aos cascos. Muitos dos calouros olharam espantados e imagino que alguns teriam seu primeiro contato com lixas.

O mais espantoso na verdade é constatar que é possível você se formar em engenharia em muitos lugares (inclusive na UFRJ) sem nunca ter encostado em uma ferramenta.

Blocos e lixa na mão começou a modelagem. Algumas duplas fizeram os cascos independentemente e acabaram com cascos assimétricos. Outros se empolgaram tanto que lixaram tudo e precisaram de uma espuma nova.

Todos recorriam muito ao modelo que fiz de exemplo e mais uma constatação interessante, aquela era a primeira experiência mais próxima que muitos tinham com o formato de barcos. Algo que, se eles não correrem mais atrás, só vão ver mais detalhes com quase 50% do curso concluído.

Pra fechar, as velas foram recortadas em papel celofane com base mais uma vez na criatividade e estavam prontos os barcos pra competir. Juntou muita gente em volta da piscina, misturando calouros e veteranos pra assistir e tinha barco de todo jeito.

Os resultados foram mais uma lição pra todos. O barco campeão desmontou na minha mão nas duas vezes que fui colocar na água. Depois de acertado, ele andava muito. Por que? Mil teorias surgiram e mais motivos pra eles se interessarem mais a fundo pela engenharia naval.

Pra frente

Os calouros gostaram, os veteranos gostaram, os organizadores já falaram que querem repetir todo semestre e tudo se confirmou, a recepção pode ser realmente integradora. Missão cumprida.

Minha maior intenção com essa história é mostrar que mesmo sozinho é possível mudar algumas coisas. No fim, esse é um tipo de ideia que pode ser replicado pra muitos cursos, é só ter um pouco de criatividade e vontade de mudar seu entorno.


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