I’m not a quitter. I’m a starter

Uma tentativa de explicar o porquê de eu largar algumas coisas pela metade…

Ao longo da minha vida ouvi diversas vezes: “Você deve terminar as coisas que você começa”. 
Não estou falando das pequenas coisas do dia a dia, como lavar a louça ou arrumar a cama (essas eu nem começo).

Estou falando dos “grandes projetos” que nós temos na vida. Estou falando daquelas ideias bacanas que a gente tem do nada e que resolve tocar em frente para ver no que vai dar. Aposto que você também já começou alguma coisa e depois de um tempo largou, enjoou, perdeu o tesão. Não tenho medo de assumir: eu sou um “abandonador”.

Em inglês, essa pessoa é chamada de quitter e seu significado é algo como alguém que desiste facilmente. E é exatamente no lance de DESISTIR que as coisas ficam mais nebulosas.

As pessoas desistem das coisas por vários motivos. Talvez o principal seja a dificuldade. Não preciso falar aqui que, na vida todo mundo passa por momentos de dificuldade, que o caminho é duro pra chegar onde você quer e bla bla bla. Isso todo mundo sabe, a gente cansa de ver milhares de pessoas de brilhantes dizendo o quanto ser persistente, perseverante e não desistir dos seus sonhos foi importante para o seu sucesso. Never give up!

Mas não tem nada a ver com dificuldade. Pelo menos eu acho isso.
Eu gosto mais de começar as coisas. Gosto quando tudo é novo, as possibilidades são infinitas. Gosto do trabalho de construção, de planejamento, de colocar a coisa em prática e ver o projeto rodando, crescendo, ganhando vida. Eu sou um starter!

Eu sou assim desde pequeno. Eu sempre preferi um NEW GAME do que um LOAD GAME.
Sou daqueles que acha que o mais legal do The Sims é construir a casa e se virar com a pouca grana do começo do jogo.
Daqueles que prefere pegar o Blumenau na 4ª divisão no Elifoot 98 e subir com ele até a 1ª divisão. Na raça, sem fazer código.
Depois que você é campeão, tá ganhando dinheiro pra caramba, qual é a graça?

Horas e horas pra subir o Blumenau pra primeira divisão.

Então, não se trata de desistir nas dificuldades.
Porra, você sabe como é difícil subir de divisão com o Blumenau? Você fica sem grana, jogador lesionado, só zagueiro sarrafeiro tomando cartão o tempo todo. Não é fácil. Tem dificuldade pra caramba! Mas isso é o mais legal!

Se você nunca jogou Elifoot 98 talvez não faça muito sentido pra você.
Mas com certeza você já conseguiu pensar em alguma coisa que é muito mais divertida e empolgante no início.

Com o passar do tempo, eu aprendi a lidar com isso em mim.
Passei a procurar novos inícios dentro dos grandes projetos, e as coisas começaram a fazer mais sentido. E esse ainda é o grande desafio.

Eu já comecei uma infinidade de coisas bacanas na minha vida. Acredito que eu não tenha terminado nem 10% delas. Já comecei a escrever um livro, um canal no YouTube, milhares e milhares de textos (vocês precisam ver quanta coisa tem no meu Draft aqui do Medium) e tantas outras coisas maiores e talvez mais importantes, mas que não tive o tesão de terminar.

“Você deveria continuar com isso! É tão legal!

O meu tesão é começar. É criar, fazer nascer.
Não quer dizer que eu sempre deixo tudo pela metade. Sei finalizar meus projetos, minhas missões, meus compromissos…

Talvez seja assim mesmo pra todo mundo.
Talvez seja só eu.

Ou talvez eu precise entender que todo fim é, na verdade, sempre um novo começo.