Um título pra ilustrar esta merda

Faltam poucas horas. As roupas estão espalhadas pelo chão, a toalha está ali pendurada na porta. A cortina finalmente fechou por completa. A unha quebrou. O riso abriu, diminuiu. O mundo caiu, renasceu, irrompeu diante de mim diversas vezes.

Faltou clareza. Sempre faltou a porra da clareza. Mas fiz a minha parte, dei tudo de mim, dei tudo de mim, dei tudo dessa minha vida miserável. Disso não posso reclamar. Não posso me cobrar. Não posso me enfiar por aí abusando do álcool que meu estômago insiste em rejeitar.

O sol lá fora é forte. E soa. E sua. E sou parte desse mundo agora também.

As horas passam numa ligeireza ímpar. O frio na barriga me atormenta. Eu vou surtar a qualquer momento.

Gostaria de dizer que eu, se pudesse, seria uma coisa completamente diferente. Mas não posso ser. Nunca serei. Bem por isso sou como sou. Às vezes isso até me tira do sério, essa vontade louca de agir de determinada maneira. Sou conciliador porque não posso ser outra coisa. Sou do bem porque não posso fazer doer. Não consigo. Não tenho as ferramentas para isso.

O sol sua e faz soar no meu ouvido um zumbido estranho, como se fosse fácil acostumar com a pele ardida e o calor infernal.

Sobre solidão e solitude, eu talvez mereça uma ou outra.

Acho que me esforço tanto para tentar atenuar. Tentar fazer doer menos essas coisas que faltam.

Não sei se alguém vai ler isso que escrevi, que é pessoal e não diz muito sobre nada, mas que ao mesmo tempo diz tudo que eu preciso dizer. No entanto, ainda hoje refleti sobre o que fazer quando toda a sua força e vigor é posta em algo que não te pertence. Que não te chama. Que não te procura. Que não te pensa quando faz sol. Que não te agarra pelo braço quando faz frio. Que não te deseja entre todos do mundo inteiro. O que fazer quando não é você? E aí? O que fazer com as reticências?

Estou estranhamente calmo. A perplexidade que me acometeu foi só um detalhe que já havia sido exposto antes. Tenho uma bagagem de conclusões.

É estranho constatar que disse tudo de mim aqui. Adoraria ser outra coisa. Mas sou o que posso ser. Vou aprender uma hora ou outra a lidar com isso. Eu só achei que pudesse ser diferente no fim das contas. Mas como? Boa pergunta. Estou pela primeira vez vocalizando isso. Estou falando esta merda em voz alta.

As horas voam. Sinto-me como se fosse mesmo hora de ir. As malas estão prontas. Vejo rituais que apenas sacrificam minha paciência. “ei, olha aqui, aquilo tudo não passa de velharia empoeirada”.

Acho que acreditei na minha própria mentira. Começo a me perguntar quem sou eu de verdade.

Eu queria ser suficiente.

Queria ser mais que uma lembrança boa quando as coisas estão ruins.

Foda-se. Vou fazer algo a respeito. Aprendi a ser persistente. O fracasso ainda não me subiu à cabeça.