Zodíaco

Minha relação com astrologia começou aos cinco anos, quando aprendi a ler. Treinava leitura de horóscopos, lia os signos de todos na casa, e acreditada naquelas previsões de como seria o dia ou qual cor usar. Minha avó, libriana, adorava que eu lesse o horóscopo para ela.

Cresci um pouco mais, mas a curiosidade sobre o que as estrelas têm a dizer não me abandonou. Aos onze anos, eu calculava ascendentes das minhas amigas e um pouco mais tarde, as sinastrias amorosas.

A astrologia é uma forma de conhecimento (nunca quis se arvorar como ciência) milenar, que auxiliou a nossa noção de contagem do tempo e contribuiu incrivelmente para a astronomia. O zodíaco mais conhecido hoje, de doze signos astrológicos foi popularizado pelos gregos baseado em crenças egípcias e babilônicas. Mas a maioria dos povos antigos consultava os astros para aprender sobre o destino.

As histórias de como surgiram as constelações dos signos também são muito belas e inspiradoras. O meu, sagitário, vem de Quirão, o mais sábio centauro (metade homem metade cavalo, conhecidos pela impetuosidade e selvageria), mentor de muitos heróis, dentre eles, Hércules. Era também professor de medicina, ginástica e astronomia. Por acidente Hércules acertou uma flecha no ombro de Quirão, que era imortal e após mesmo buscar todos os tratamentos, não conseguiu livrar-se da dor. Em agonia, pediu a Zeus que o matasse. O deus, então, transformou o sábio na constelação de sagitário. Quirão lutou para ser livre, feliz e não sentir dor, nem que isso lhe custasse muito sacrifício. Esta história é inspiração para minha luta com meus demônios diários.

De testes de revista a perfis psicológicos, muitas pessoas buscam auto conhecimento, e não sou diferente. Tudo o que me permita saber melhor quem sou, considero válido e bem vindo. Essa é minha relação com o zodíaco: sagitário, meu signo solar, explica, sim, alguns traços da minha personalidade alegre. Outros, como a rebeldia, são do meu ascendente, aquário. Meu lado type a bossy bitch e todo nervosismo e ansiedade que ele ocasiona, claro, vem de minha lua em virgem. Minha honestidade e ausência de rodeios nos relacionamentos amorosos mais uma vez é sagitariana, dessa vez do vênus. Meu gosto por mistérios de todos os tipos é do meio-de-céu em escorpião.

Não significa que estas coisas vão me definir e limitar minha personalidade. Mas a astrologia ajuda, e muito, no reconhecimento de pontos positivos e negativos do modo de ser, algo fundamental para a construção de uma autoestima saudável. E se algo assim é instrumento para aprimorar a convivência com outras pessoas, nossa, que seja usado.

E agora aqui estou, fazendo mapas para meus amigos e escrevendo sinastrias, na maioria das vezes por diversão, mas também encantada por ser descendente de estrelas. Em algum lugar dentro de mim ainda creio que somos todos um pouco estrelas, planetas, galáxias. Somos universo, complexo e com uma infinitude de possibilidades.

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