Defronte ao espelho

Caliopilia
Jul 30, 2017 · 1 min read

Defronte ao espelho, meus olhos vêem, irrisoriamente, o fundo d’alma que transcende entre um olhar ofusco e a realidade intangível que sussurra aos meus ouvidos enquanto me vejo desnudo, sem nada, sem nem mesmo a capa que me cobre fronte aos outros olhares externos.

Indispensavelmente, eu sou fruto de um balaio vazio, oco, sem nada. Com o tempo fui desabrochando como hoje estou, entre as indispensáveis lições temporais e atípicas que meus pés já evitam caminhar. São caminhos inundados de lágrimas e secos de sentimentalidade. Olho para trás e vejo-me jogado a cada metro de distância. Vejo corpos e mais corpos e me pergunto “Por que tanto errei?”. Finalmente olho para trás e vejo que permaneço em pé, defronte ao espelho, vendo minha face, minhas facetas e meus desesperos internos que gritam “Não vá por aí" ou “Vá por aí". São caminhos curtos, turvos, curvos e sem fim. Caminho nas ásperas estradas inacabadas de meus pensamentos, sonhos, virtudes, almadas e desalmadas vicissitudes.

Eu me enterro na areia do tempo como se me afogasse numa ampulheta que derrama sobre mim o tempo que perdi.

Eu estou olhando para mim defronte ao espelho.

Caliopilia

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É só mais um traço de palavras no papel que sobre as mãos amasso e jogo no lixo. Busco, leio, releio, refaço e mais uma vez, soturno, nasci.

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