Defronte ao espelho
Defronte ao espelho, meus olhos vêem, irrisoriamente, o fundo d’alma que transcende entre um olhar ofusco e a realidade intangível que sussurra aos meus ouvidos enquanto me vejo desnudo, sem nada, sem nem mesmo a capa que me cobre fronte aos outros olhares externos.
Indispensavelmente, eu sou fruto de um balaio vazio, oco, sem nada. Com o tempo fui desabrochando como hoje estou, entre as indispensáveis lições temporais e atípicas que meus pés já evitam caminhar. São caminhos inundados de lágrimas e secos de sentimentalidade. Olho para trás e vejo-me jogado a cada metro de distância. Vejo corpos e mais corpos e me pergunto “Por que tanto errei?”. Finalmente olho para trás e vejo que permaneço em pé, defronte ao espelho, vendo minha face, minhas facetas e meus desesperos internos que gritam “Não vá por aí" ou “Vá por aí". São caminhos curtos, turvos, curvos e sem fim. Caminho nas ásperas estradas inacabadas de meus pensamentos, sonhos, virtudes, almadas e desalmadas vicissitudes.
Eu me enterro na areia do tempo como se me afogasse numa ampulheta que derrama sobre mim o tempo que perdi.
Eu estou olhando para mim defronte ao espelho.
