17h11

Carolina Calixto
Aug 28, 2017 · 1 min read

O mundo não muda
quando eu tiro os anúncios de prostitutas
pela cidade, do telefone público
no dia seguinte vejo mais
sórdido impuro desumano
é difícil esquecer
não aguento minha silhueta
quando tropeço pelas pedras sem reboco
e alguém me diz pra sossegar afinal
é assim mesmo
um dia o vento bate fresco
no outro esbraveja em direção contrária
pela esquina adentro
aquela onde ele me abraçou
pela última vez dentro de uma padaria
meus pães de ló amassaram contra
meu peito destroçado e no fim não levei nada.
é um sinal alguém me disse na época
que não era pra
ser pra dar pra receber
mas no fim das contas e
daquela tarde eu lembro bem do teu rosto
da tua avidez em jogar no lixo
os cartões das prostitutas comigo
e depois sentar numa calçada
acreditando que o mundo mudou sim
na verdade só um pouquinho.

)
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