Honra ao mérito

Engraçado é essa coisa de ver
Depois de 13 dias exilada e distante
O hematoma do lado esquerdo da testa ainda vibra vivo e ávido
A cicatriz da incisão pequena profunda acima do joelho judiado
Da vez em que eu andava cambaleando pelos quarteirões e o clima me fazia tremer os lábios machucados
Meus ossos desfaziam e minha pele degringolava quando encontravam nos seus braços um relicário para enfim descansar
A tua cicatriz ainda não tinha encontrado a minha
E todos diziam que era melhor como estava
Era o melhor pra essa estrangeira afinal
Eu era uma floresta pluvial
E fogo nenhum podia me apagar
E pro teu próprio bem
Tu foste enquanto a saída era curta mas o esquecimento é longo longo longo demais
Já eu fiquei porque aguentava
Se não, o que mais haveria de restar?
No âmago do desejo
Eu me escondia e guardava entre os dedos ensanguentados de raiz e opala e luz artificial
A promessa de que não me cansaria jamais
Escrita porcamente em giz branco
Ou era verde? Não recordo
E no vidro esfumado
Na névoa da rua vazia de cidade pequena e repleta de fábulas
Eu me perdia no andar torto das caminhadas intermináveis
Sentindo o que tu sentias
Quando era pequeno e se animava a observar roseiras
Aos domingos de manhã.