teu nome imaculado
de sonoridade beata
pendurado no topo da catedral
do concreto cintilante e aves rapinas
decoram ao invés dos vitrais empoeirados
dos feixes de colunas rasgando a luz
teu nome chega ao céu rosado
da boca e trata logo de
emaranhar nas camadas finas de ar
o freio da língua que não
encosta em parte alguma 
a bochecha por dentro
mordiscada nunca teve espaço
para cicatrizar, dizia
que a culpada é a saliva
teu nome que eu titubeava 
a pronunciar como sinal de respeito
aos que morreram e aos que virão
na próxima década de indecisos
que seguem através da vontade
da sede de diferença tradição sangue
quente espesso vazio
maior que teu nome
tua pele de ouriço
enrijecida ao toque
molhado como a borda da minha jaqueta
a que parece tua favorita de denim
as mangas do veludo amarelo
encostavam na chuva nas lágrimas nas goteiras
meus cortes não curavam nem meu tornozelo
eu quebrava o mesmo osso periodicamente
e sua formação não calcificava
era fraca sua fundação e assim pois
eu suplicava a ti
que voltasse até o restaurante
beijasse o garçom das clavículas saltadas
reverenciasse o cozinheiro e atirasse os guardanapos
no chão para dar de prenda
depois de arrematar meus acertos
depois dessa demonstração discreta de amor brutal
não tenho certeza se sei o que é gastrite
se me familiarizo com os estados químicos
em especial o de sublimação
sólido desmanchando no ar
não reconheço o que deveria sinalizar essa busca
entre a relva dos teus nós de cabelo e o que tem
entre a Georgia e a Armênia se não cabras leiteiras
entre meus dedos fragilizados
por apontar no céu morno o teu nome.