Rotina

A rotina de quem trabalha oito horas por dia numa agência de comunicação pequena não é tão empolgante e dinâmica como muitos pensam que é (aliás, alguém pensa assim?). Quer dizer, na maioria dos dias, o rolê é escolher foto/pautar arte/escrever textinho/mandar para altera… digo, aprovação do cliente/programar o post, embora tenhamos que, eventualmente, fazer coberturas em eventos bem legaizzZ — caracterizando uma certa atipicidade na parada. Fato é que nesse tipo de ramo, as desventuras proletárias em frente ao monitor são um convite à repetição. Um labirinto cuja saída mais fácil é a conversinha no RH ou evasão pela janela.
Você precisa desempenhar as mesmíssimas atividades todo santo dia e rezar para que não dê bosta em nenhum processo. Caso contrário, certamente seus clientes vão desejar jantar seu pescoço. Mesmo aos fins de semana, a cabeça parece estar pendurada em algum cartão do Trello. As redes sociais se tornam um porre, sobretudo aquela das fotos. Pessoas pedindo o famigerado biscoito enquanto editam a “vida perfeita” que seus seguidores devem consumir. Quer sinceridade? Stalkeia no Twitter.
Em meio a tudo isso, existe uma luz no fim do túnel chamada sexta-feira. Quando o relógio da bandeja do sistema anuncia a chegadas das 18 horas, surge um apito de trem explodindo em nossos ouvidos. Essa locomotiva nada mais é do que a incontrolável sensação de trocar nosso sangue por álcool. Um gole de chope para preencher o vazio que a rotina negligenciou em completar. Com sorte, o vale-refeição tem saldo. Levo alimento de casa, portanto não gasto um centavo com refeições importantes. O pão de queijo vira uma Red IPA, e o PF se torna uma porção de qualquer besteira gordurenta. Como é bom sair da rotina!
Na roda de amigos, evito interagir com a tela brilhante do portátil, a não ser que surja uma notificação de alguém querendo se juntar ao grupo. O importante é conquistar um canto legal onde todos possam ficam à vontade. Um gole no copo de plástico. Um trago no cigarro mentolado. Uma melhor amiga comentando sobre aquele seu brother que ela tá a fim. A crítica da série ou filme que foi visto recentemente (ou não). Também há rotina no ritual que serve para se livrar da rotina. Espera, mas não era para se livrar dela?
