BOTANDO PRA FORA #1

Tentando Expulsar as Más Energias e Respirar.

Já faz um tempo que não escrevo, e já faz um tempo que não amo, e já faz um puta tempo que não faço o que quero, pois parece que sempre fico preso a algo ou alguém. Se não escrevo, é porque não consigo formar frases que soam bem e com o bom português padrão; Se não amo, é porque passo minutos inúteis no Google Photos vendo fotos minhas com a minha ex-namorada (sendo que estou fazendo isso neste exato momento); Se não faço o que quero, é porque os meus sonhos de ser um estudante da Universidade de São Paulo não me autorizam gastar tempo com coisas que não sejam estudos ou que não agreguem valor cultural de relevância (ué, mas eu não acabei de falar que gasto minutos inúteis vendo fotos da minha ex?).

Uma vez o meu pai me contou as diferenças de desculpas e perdão. ‘Desculpa’ é saber que o outro errou mas não esquecer do erro; Já ‘perdão’, é compreender o erro do outro e esquecer o erro, seguir em frente. Se isso for verdade o mundo é cheio de hipócritas. Mas ai, lembro uma vez que me contaram que a hipocrisia é um dom do homem contemporâneo, e sem ela a sociedade permaneceria intacta, sem nenhum desenvolvimento social. Porra!

Para ter atitudes progressista eu tenho que manter meus ideais numa corda bamba. Se cair para o lado direito é conservador, atrasado, anti-fashion (não creio que usei esse termo para uma análise sociopolítica), agora se eu cair para o lado esquerdo é loucura, libertinagem, desorganização. E tudo isso é demais para minha cabeça. É um sentimento tão desconfortável quanto a linha vermelha às 18h numa segunda, e tão confuso quanto assistir ao Café Filosófico após beber umas (ou talvez tão confuso quanto ler esse texto).

Tá. O grande problema, aliás, grande não, talvez, o único problema, é que eu não sei diferenciar a linha tênue que separa a frescura, e um problema mental sério. Como saber se uma pessoa tem depressão, ou se tudo aquilo é melodrama? Ou será que isso depende da ótica, da percepção, do poder observação? Será que todos os problemas são problemas sérios? Pois cada um têm as suas próprias vivências, suas únicas experiencias, e eu jamais saberei o que essa pessoa sente e como ela interpreta seus próprios problemas. Mas como que alguém pode viver com os seus White People Problems enquanto milhares no oriente médio morrem, ou enquanto crianças de países subdesenvolvidos passam fome, frio, e medo? Só com isso já tô com vontade de apagar o meu texto e deixar essa baboseira de lado.

O mais interessante é que eu conversei com o meu psicólogo essa semana, sobre aquele “único problema”, e no final das contas acabamos conversando sobre política e com ele afirmando que “o problema do país são essas políticas ‘paternalistas’ como bolsa família… e trá lá lá lá lá”. Legal, já comecei a desgostar do meu psicólogo, e ele só comprovou a minha ideia de White People Problems.

Até que ponto sou egoísta? Até que ponto somos egoístas?

Quem sabe esse egoismo todo é fruto duma sociedade neoparnasiana, já que tudo com um Amaro ou Valencia parece bom, bonito, e legal. Onde é só postar uma foto de uma árvore pouco florida, na Avenida Rebouças, e esperar receber os likes. Enquanto que no fundo você sabe que tem gente morrendo, você sabe que a sua mente não é tão florida quanto aquela árvore, você sabe que você é triste, mas tudo é momentaneamente recompensado pelos coraçãozinhos virtuais, e por alguns instantes toda a sua atenção (e quiça seu coração) é voltada para a telinha do seu celular.

Tem gente que morre porque não tem ninguém pra conversar. Já faz um tempo que eu não desabafo.