TESTAMENTO DO ICONOCLASTA

Tudo se repete

Haunted Cliffs of Cullero — Piotr Jabłoński

Magnitude plena é apreciar

a sonoridade das gotas da pancada

ao cair sob o metal articulado do homem

até surdo atirar-se na calada da noite.


Na pestana, sem ouvir, sem ver,

deficiente como Têmis, mas sem

senso de razão. Estático. A putrefazer.

Maldito Cronos que leva teu gozo.


Durante a troca de esferas observas

o mundo da plasticidade corroer em

instantes sob o efeito d’ouro. E por hora,

o insosso foge do cerebelo e alcança a matéria.


No mundo da criação és mais que criatura.

Monta e desmonta. Lucidez sucinta como

a negação à carne. Não aguentas de desejo,

mas o que és júbilo perto da angustia da vida?


Brotas.

Sois apenas um fragmento da imaginação.

Um fruto da poeira e dos cosmos.

Uma pequena parte de algo sem parte.

Átomo este, chave para a luz da minha integridade.


Minhas desilusões são apáticas a toda construção,

e mesmo que façam parte dos tijolos do divino,

essa melancolia subjetiva, que particularmente,

apelido de vida, a mim pertence.


Não é crível que um ser acima do tudo

brinque com a fauna e flora como se fosse deus.

Ainda mais se tamanha indecência existisse

não deveria assim ser nomeada.


Será então que sou do mundo

ou o mundo é uma parte de mim?

Eu me fiz o que eu sou?

Da onde vim é para onde vou?


Sei que sou do nobre universo.

Do Hidrogênio ao Hélio.

Até sinto minha onipresença.

Logo se vos sois deuses, sou eu um criador?


Se presenteado assim for,

alterarei cada segmento quântico

da matéria inerte do

ventre das constelações.


Dizendo “faça-se a luz”

em mesmo número que

a besta se sufoca após o espasmo

em quatro cantos.


Abrirei buracos no plano, sob

a regência do pleno atrito entre meu

suave pincel e o criacionismo.

Assim será a nova ótica.


Toda luz será filtrada por

espelhos do meu embelezamento.

Nada de mal ou de estranho,

só o bom e belo.


Assim ai de ser as

paredes do meu templo,

e ai de ser os alicerces da pregação.

Vosso destino.


Os milhares de fótons que refletem

em cadeias de números molares

iluminam as faces e a natureza

intrínseca da esperança humana.


As cargas elétricas carregadas

anunciam os lagos, os rios, os mares

que serão despejados em abundância,

para assim se instaurar a verdadeira bonança!


Os pequenos em terra aguardam

para se embebedar da vitalidade

das gotas do 238 ao implacável 235.

Me irradia de alegria.


Tudo então repete.

— — — — — — —

Viva ao iluminismo!

Viva ao antropocentrismo!

Viva ao capitalismo!

Viva a morte.


Poesia por Vitor Callis.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.