nesta cidade em que nada acontece
nesta cidade, em que nome de motéis não brilham em neon
nós decidimos:
se vamos: ou se ficamos:
e, nesta cidade, que não é o sonho de ninguém:
a gente é que sabe:
se apega ou se desliga:
nesta cidade, que todos sonhamos em ir embora:
se escolhe:
cultivar amor ou regar o ódio:
mas, pra lembrar:
a gente tá aqui pra cultivar:
nestas noites longas:
nestas esquinas que quase mortas:
gritam por socorro:
querem ouvir nossos risos em coro
e a gente da a ela o que quer:
sem medo de viver, sem medo de morrer:
e até se esquece, que daqui:
um, dois, três, quatro meses:
a gente chora:
num abraço de despedida:
naquela rodoviária que inspira devaneios de filme colombiano:
porque quer tudo de volta.
(e quando cê se for, pra Juiz de Fora, lembra de tudo que aflora. carrega no teu peito a vontade de ser maior, melhor. ostenta ser feliz, que aqui, nessa cidade, vou fazer morada da saudade.)