Une petite histoire

E fui direto à boca dela. Adentrei aquele corpo pela entrada principal — por onde se realiza o verbo — e me instalei como se fosse necessário ali estar. Talvez não quisesse causar tanto estrago, mas, no final, percebo que os resultados ultrapassaram todo e qualquer limite que eu pudesse impor.
“A mim, estão reservados os desencontros. Nunca soube o que é de fato encontrar-se. O eterno devir me impossibilita de conservar e retornar a qualquer modelo, uma vez que nada será de novo o que de novo já se foi um dia, como mais ou menos parece ter cantado um certo alguém.
Quando pareço me encontrar, nunca sei se é a mim mesma — e isso acontece de forma reiterada durante o dia. Nada mais me causa espanto e também não me acostumei a isso, mesmo a teoria dizendo que tudo é questão de adaptação. Os processos na minha mente sempre caminham na ordem inversa e seguem atropelando tudo aquilo que eu pareço crer, ao passo que vou constituindo meus hábitos tipicamente contrários à lógica de ser, mas que são padrões de mim, tornando-se, portanto, hábitos de uma mania de existir” pensei.
Foi nesse instante em que eu saí de dentro dela e perdi a memória.
Por Camila Alves
