Masturbação no Mundo Pré Internet

Recordações da última geração a se masturbar antes do surgimento da internet

Quem, assim como eu, conheceu o mundo pré internet, sabe bem que a Geração Z, aquela composta por nascidos entre 1990 e 2010, também conhecida como Geração Leite com Pera, perdeu muita coisa. Um exemplo é o romantismo que envolvia a masturbação até os anos 90. Essa nova geração cresce tendo a seu dispor incontáveis terabytes de pornografia 24 horas por dia e a apenas um clique de distância, na privacidade de seu quarto. Mesmo os que nasceram no começo da década de 90 chegaram à puberdade com um Playstation no quarto e amigos com gravador de CD no computador. Com a minha geração a história era diferente. Muito diferente.

Se você é do sexo masculino, tem entre 30 e 40 anos e tinha atração por mulheres quando era garoto, com certeza se lembra bem da verdadeira odisseia que era conseguir uma simples revista pornô no começo da adolescência. Geralmente era preciso pagar para um amigo maior de idade (que sempre tinha péssimo gosto) para comprar para você, trocar na escola por sua estimada coleção de X-Men ou algo assim. E eventualmente era preciso sujar as mãos e cometer seus primeiros crimes para afanar uma no guarda roupas do tio (e torcer para ele não dar falta) ou até mesmo roubar uma na banca de jornal ou em sebos. E bancas de jornal na minha época, aliás, só o jornaleiro ficava do lado de dentro, você tinha que pedir a ele para pegar a revista que você queria ver.

Na minha geração todo mundo era Jason Bourne mas, ao mesmo tempo, era filho da CIA. Só quem já teve sua revista pornô preferida confiscada pela mãe e ainda teve que ficar sem jogar video game como castigo sabe a dor que era.

Mas e quando a adolescência avança, a carga de testosterona aumenta e Playboy e foto novelas deixam de fazer efeito? Aí era preciso recorrer à sétima arte e um novo mundo de complicações e riscos surgia diante de nossos olhos. Uma fita pornô era ainda mais difícil de conseguir e de esconder, e para piorar, passava a ser necessário acesso ao Videocassete da casa, que sempre ficava na sala ou no quarto dos pais. Na minha geração todo mundo era Tom Cruise e, toda vez que os pais saíam de casa, começava um novo filme da série Missão Impossível. Você tinha que pegar a fita no esconderijo, desconectar a antena parabólica, conectar o Videocassete e, feito isso, ainda tinha que rebobinar ou avançar a fita até encontrar a cena que você queria assistir.

Na minha geração todo mundo era o Demolidor, pois era preciso ouvir e identificar o som do motor do carro do pai parando lá no portão. Quando isso acontecia, era hora de tirar a fita, desconectar o Videocassete, conectar a parabólica, apagar os sinais de sua presença e esconder a prova do crime. Se a fita fosse do seu pai, você ainda teria que rebobinar para o ponto exato onde estava antes de fazer tudo isso. Na minha geração todo mundo era Jack Bauer e precisava trabalhar sob condições extremas de pressão.

E como nem sempre era possível conseguir um filme pornô, frequentemente se fazia necessário recorrer a uma dose de pornô público (porém ainda assim domesticamente ilícito) que era fornecido nas noites de sábado, na TV Bandeirantes, pelo inesquecível Cine Privê e pela saudosa Emanuelle. Era preciso ficar acordado até 2 da manhã para ver peitinhos, uma bunda reta de longe e um casal simulando um sexo sonolento enquadrado da cintura para cima. Só que, embora os privilegiados tivessem TV com parabólica no quarto, a maioria de nós tinha que assistir na TV da sala, com o volume mínimo (1 na escala de 0 a 100) e, quando os pais acordavam para beber água, era preciso trocar rapidamente para um canal qualquer (que sempre acabava sendo aquele que vendia tapete persa). Na minha geração todo mundo era The Flash (para trocar de canal) e era Marlon Brando (para ser convincente na atuação de um genuíno interesse em um cara vendendo tapete persa em volume inaudível).

Enfim, bons tempos que não voltam mais. O romantismo que envolvia o simples ato que se masturbar na década de 90 é algo que foi perdido e hoje só existe na memória das antigas gerações. Tipo o código morse.

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