timing
Me disseram que era preciso ter força.
Busquei.
Me disseram que era necessário ir e fazer.
Tentei.
Me disseram que obrigatório querer muito, querer mais do que tudo.
Quis.
E os verbos, agora conjugados no passado, nunca foram tão presentes. Aqui já os coloco também no futuro para antecipar o que vier, porque sempre vem. Buscar, tentar, querer. Não bastava subir no avião, precisava engolir o choro, mas também saber chorar, porque a dor nos constrói, afinal. A saudade nos marca, o medo nos ronda e a vida nunca é carta marcada.
Em 24h tudo acontece. Os sentimentos ficam intensos, a cabeça gira, o corpo transita e o medo — sempre ele — não para de rondar. Tem calçada que faz tropeçar, mas tem praça que faz acolher, e aqui cabem todas as metáforas que a mente conseguir produzir.

Quando vê, você resolve se abraçar por dentro e se encarar, se descobrir, se pintar das cores do mundo. E quem disse que o arco-íris é sempre colorido? Fica preto e branco também, eu tenho certeza. É por todas essas colorações que a vida passou nas últimas horas. É por todas essas calçadas, esses voos, essas incertezas, mas também as descobertas.
Embora a gente busque, tente e queira muito, muitíssimo mesmo, pode ser que nem seja por ali o caminho. E quem vai nos dizer, senão nós mesmos? Hoje, em pleno shopping, vi um guarda-chuva exatamente com todas as cores do arco-íris. É assim, não é? Esperar a tormenta passar… E passa.
Não existe uma competição entre as fronteiras do mapa e as fronteiras do coração. Elas coexistem, essa é a pura verdade. Você quer ir, mas também quer muito ficar. E você descobre, então, que ir e ficar é sempre muito relativo, é muito além de físico. Você se colore, você escurece… Você se transforma. E não, não é porque pegou um avião, é porque voou lá dentro, lá consigo. É porque buscou, tentou, quis.
Me disseram que a vida era difícil.
Eu chorei.
Hoje, sorri.
Amanhã ainda não sei.
Buscarei, Tentarei. Quererei.
