Como uma mulher trouxe esperança para mais de nove mil vidas.


O que uma única mulher, com muita vontade de mudança, pode fazer dentro de uma das maiores favelas de São Paulo.

A resposta: tudo!

Sim, uma pessoa pode fazer a diferença na vida de muitas outras. Como é o caso do Mensageiros da Esperança, projeto encabeçado pela Verônica Machado que, em 17 anos de história, já mudou a vida de mais de nove mil crianças e jovens na Brasilândia.

Verônica Machado. Fundadora do Mensageiros da Esperança.

A instituição surge após sua criadora passar por uma tragédia pessoal. Seu irmão caçula é assassinado por um garoto dentro da comunidade. Exemplo de resiliência e força, Machado cria o Mensageiros com foco na educação, empreendedorismo e empoderamento de pessoas dentro da Brasilândia. Seu objetivo é mudar a realidade do lugar em que vive.

Em apenas quatro anos de vida, o Mensageiros vai de 10 famílias atendidas para mais de 120. Desta forma, eles começam a perceber que o projeto tem que ser ampliado, a fim de poder ajudar cada vez mais pessoas. Assim, inicia o foco em educação com atividades extracurriculares e contra turnos, oferecendo aulas de reforço escolar e atividades esportivas. Em 2004, a instituição cria o negócio social Criar, que desenvolve cenografia sustentável para o mercado, fomentando atividades artístico-culturais entre seus alunos.

Além da Criar, também firma parceria com o CDI (organização social que usa a tecnologia para transformação social) para levar aulas de informática para a comunidade, atendendo jovens e adultos. E vocês acham que eles pararam por aí?

O Mensageiros da Esperança foi a primeira instituição parceira da Coca-Cola para a criação do Coletivo Coca-Cola, tornando-se pioneiro nessa iniciativa e exemplo para as instituições que firmariam a mesma parceria posteriormente, que tem como foco o desenvolvimento e capacitação de jovens.

De acordo com Verônica, “temos que separar o negócio da boa vontade, buscar o caminho para o negócio social e sustentabilidade das instituições do Terceiro Setor”. Com este pensamento nasceu mais um negócio social dentro do Mensageiros: o Colégio Nova Educação, que “trabalha o sócio-construtivismo e as práticas democráticas, acreditando ser esse o caminho da transformação de uma geração mais protagonista e solidária.

O CNE traz uma proposta educacional voltada à socialização, consciência ambiental, empreendedorismo, arte e cultura”. Uma escola particular com mensalidade de R$ 350,00 que atende desde o Maternal até o Ensino Médio, “pois quem está dentro da comunidade quer sim uma melhor educação”. De acordo com sua fundadora não faltavam alunos para a escola, que atualmente passa por uma reformulação e teve que fechar as portas temporariamente.

E podem acreditar que tem mais! O grupo ainda criou o Centro de Capacitações Instituto Inovação Sustentável, que visa gerar desenvolvimento humanos e social, com aulas de capacitação empreendedora como Marketing Digital para Empreendedores, Inglês, Yoga, Informática e muitas outros cursos.

E sabem qual é o objetivo final? Transformar o Mensageiros da Esperança em uma holding social, trazendo todos os negócios sociais para dentro de um grupo unificado. “Nos últimos 10 anos, no Brasil, começaram a surgir mais instituições empreendedoras, que é onde o Mensageiros se encaixa. O Terceiro Setor precisa ter um olhar mais amplo, as pessoas têm mais necessidades além do arroz e feijão, elas têm outras fomes. Fome de conhecimento, de capacitação, e assim, melhorar suas habilidades e competências, tornando-se mais críticas e ampliando seu repertório. Precisamos sair apenas da área de proteção e ir para a área de promoção de pessoas. Por isso o nosso tripé é Educação, Empreendedorismo e Sustentabilidade. ”

O Mensageiros ainda possui uma parceria com a maior organização de intercâmbio voluntário e profissional do mundo, a AISEC. Que, atualmente, está desenvolvendo um site todo em inglês para a instituição. “Eu quero internacionalizar o Mensageiros, se os outros conseguem por que eu não? ”, finaliza.

Alguém aí dúvida que ela consiga?!


Este texto faz parte do projeto Apanhadores de Histórias. Conheça mais clicando aqui.