Ana

Eu não sei amar, Ana.
E eu te falei isso quando nós começamos a sair; não sei amar, nem me sentir amada.
E eu tinha que ter a primeira vez logo com você, né? Eu tive que errar pra caralho e me descontrolar e surtar logo com você. Eu tive que te conhecer no auge da minha depressão e ansiedade. Eu tive que morrer de insegurança de te perder, porque, Ana, eu nunca me senti em nada e de repente você apareceu e me viu. E fez eu me ver através dos seus olhos, através de cada toque, de cada sorriso. 
Mas eu tive que errar.
Você me despiu de cada desconforto que eu sentia em relação às pessoas, ao toque, ao afeto. Agora eu já não hesito mais em tocar outros corpos ou me deixar ser tocada, porque eu já não sinto. 
Ana, o que foi que me faltou? 
Eu não quero fingir que nada aconteceu, que aquela conversa não existiu. Eu quero você por completo ou nada. Eu não quero te ver e saber que não poderemos mais ser o que já fomos. Você entende a dor disso? É voltar a um estado de desconhecimento. É não poder mais participar de cada detalhe do seu dia ou te olhar bem de perto e ver o quanto você é linda enquanto eu te digo o quanto te amo. 
Você lembra do custo de oportunidade, Ana? Escolher é sempre perder, e eu escolhi. E talvez em outras realidades eu escolhesse a mesma coisa, porque como eu poderia abrir mão de te amar apesar de saber que iria te perder?