Amar é igual andar de bicicleta.

Dizem que quando você aprende, nunca mais esquece. O amor e a bicicleta.

Mas ninguém te conta que cada um tem um jeito de pedalar e de amar. Vai do corpo, da bike, do coração e da trajetória de cada um.

A primeira lição é entender que o fato de alguém ter domínio completo – do pedal ou de um relacionamento – não dá o direito de dar conselhos não solicitados para qualquer pessoa pedalando ou amando, por mais merda que ela esteja fazendo. Obrigada por nada a todos os pitacos indesejáveis, principalmente os que envolvem dizer que com a prática você pega jeito.

Eu não sou uma pessoa que manjo dos paranauês – de pedalar e de amar (amor do tipo romântico – casalzinho, que fique claro). Falta técnica, falta foco e se pá falta vontade. São atividades que exigem atenção plena, e eu não quero que sejam a locomotiva da minha vida, apenas um lazer – assim como bordar ou pintar quadros em Amsterdam. Se eu sei pintar quadros? Quando chegar em Amsterdam, eu te conto.

Outro ponto em comum do pedal e do amor é o fato de serem atividades que me deixam o tempo todo vulnerável. Em alguns momentos é legal, mas não é o meu estado natural de conforto e bem estar.

Às vezes, um caminho errado que você escolhe, estraga todo o momento. Você precisa fazer um puta esforço pra algo que claramente não vale a pena. E quando chega em uma pista boa, já está tão cansada, que nem sabe mais se quer continuar.

Você precisa saber controlar muito bem a hora de frear. No amor e na bicicleta. Eu não tenho esse controle. Então, acostumei a frear muito antes do necessário. Aí, percebi isso e comecei a achar que sempre era cedo para frear e frequentemente preciso lidar com freadas bruscas e brutas.

O fato de ter alguém usando a mesma pista que eu, me deixa nervosa e insegura. Mas eu sei que não sou dona da rua – e nem das pessoas – então tenho que trabalhar esses sentimentos dentro de mim. Algumas vezes, nem tem ninguém na pista, mas a possibilidade de alguém surgir a qualquer momento, já me deixa bodiada e com preguiça.

Eu também me machuco com frequência, pedalando e amando.

Mas por algum mistério do planeta, quando me dou conta, eu já estou pronta pro rolê de novo. Do amor e da bicicleta.

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