Bureka

(Da série: Aventuras da Pequena Cami)

Almoço na casa da Vó Esther. O coração da Pequena Cami já estava dilacerado ao perceber que não teria a tradicional torta de frango da vovó. A menina já estava incomodada com a cozinha limpa e sem restos de massa podre para moldar estrelinhas e outros ornamentos para decorar a torta. Até que aconteceu o pior: papai chegou com um pacote de comida pronta.

“O que é isso?” – perguntou Pequena Cami.

“Bureka” – respondeu mamãe.

“Eu não vou comer.”

“Você nem sabe o que é Bureka, Pequena Cami!”

“Mas eu não gostei do nome.”

Bureka foi a primeira palavra importante na vida de Pequena Cami. Muitos anos depois, ela continua sem gostar desse nome e sem ter provado a iguaria.

Hoje em dia, ela tem métodos elaborados para categorizar palavras. Na lista de palavras banidas estão: bureka, banida, jejum, catéter, trabalho (vem do latim tripalium, que era um instrumento de tortura na idade média), robusto, fronha, dirigir, esôfago e penal (significa estojo em curitibanes).

Na coleção de palavras favoritas constam: ávido, compasso, peteca, antologia, morango (fica bem em qualquer idioma: stramberry, fresa, fraise), borracho, arrivderci, calhorda, neologismo e alma.