Caraminholas na Cabeça

Durante sete anos da minha vida, eu fiz escova/chapinha EVERY FUCKING DAY. Não, eu não era adepta a lavar o cabelo dia sim — dia não. Sempre achei [e se pá ainda acho] que tomar banho sem lavar o cabelo é uma escolha tão estranha quanto colocar uma meia antes de entrar no chuveiro por não estar muito afim de lavar o pé.

Enfim, contabilizando que cada processo durasse 25 minutos [chutando baixo], eu passei 63.875 minutos esticando o meu cabelo. 1064 horas. 44 dias. Um mês e meio, my brother! Nem vou pensar na grana e energia que foi pela tomada. Tudo isso por não aceitar a forma do cabelo que o mundo me deu. Triste!

Até que resolvi tentar progressiva. Foda-se que eu ia encher a minha cabeça de formol e tal. Madeixas escorridas pareciam mais importantes do que saúde! A história da minha primeira progressiva é ridícula. Saí do salão tão lisa, leve e solta — e amando meus cabelos — que resolvi ir para a balada. Precisava de 24 horas sem molhar o cabelo para o produto agir. Um diazinho e nada mais. Dancei, me diverti, fiquei bêbada, cheguei em casa, esqueci a progressiva e lavei o cabelo. Fim.

Confesso que tenho um fiozinho de orgulho desse dia. Não tivesse feito isso, próximo passo poderia ser não entrar no mar para não estragar a cabela. Quer dizer, nessa lógica, eu nem iria para a praia de biquíni porque meu corpo está bem fora dos padrões também. Valeu aí, mas prefiro as ondas! Em todas as interpretações possíveis.

Ainda tentei mais duas progressivas. A primeira [ou segunda, dependendo do ponto de vista] não pegou, fazendo com que eu questionasse se a culpa do meu cabelo continuar enrolado foi mesmo do meu porre. E a última deixou meu cabelo lisérrimo. Com a raiz oleosa, ponta esturricada, zero brilho e nevando caspa para todo os lados.

Foi aí que eu percebi que o problema não era exatamente com os cachos. Era muito mais um lance de aceitar que eu era diferente das pessoas ao meu redor. E de ter auto-estima e segurança para gostar de quem eu sou, incluindo o meu cabelo.

Não tem nada de novo sob o sol nesse texto-desabafo. É apenas para engrossar o coro das cacheadas assumidas. Hoje em dia, estou aprendendo a cuidar dos meus cachos. E estamos nos dando muito bem, obrigada. Tenho bad hair days? Muitos. Acordo com um volume vertical bizarro na cabeça? Sim. Mas essa sou eu. E a maior ironia foi encontrar com a dona do salão ~de beleza~ que eu frequentava, e ela dizer que o meu cabelo nunca esteve tão lindo. Obrigada. De nada. Eu é que agradeço.