Me conte a sua história, não o seu status!

No último mês tenho vivido experiências de origens totalmente diferentes. Experiências voltadas para minha profissão em RH, aulas sobre arte e psicanálise, conversas com pessoas que pensam de formas diferentes, visitas a lugares não tão populares e outros muito sofisticados, uma abertura para o não convencional que há muito tempo eu não experimentava.

Em todas elas, de formas diferentes, a primeira pergunta que tive que responder, foi: Quem é você? Por que está aqui?

Normalmente temos uma resposta padrão para esta pergunta e a minha sempre é: Camila, psicóloga, dependendo do lugar, eu falo que trabalho com RH também, já que a psicologia possui muitas formas de atuação.

Mas o ponto aqui é que nestas últimas vezes foi diferente, de alguma forma a resposta padrão me gerou incomodo e eu não queria responder, a ponto de pensar se eu não poderia pular esta parte. Toda essa crise de identidade tem me gerado uma profunda reflexão e é sobre ela que quero falar.

A definição de quem somos, é de uma complexidade sem tamanho e a maioria de nós não sabe responder a esta pergunta da forma como ela merece, me incluo aqui. Nos limitamos a dizer qual é o nosso status.

Nos remetemos a questões típicas sobre educação, especialidade, cidade de origem, cargo, estado civil ou time que torcemos. Todas essas coisas fazem parte da nossa história, é claro, mas a história implica algo muito mais amplo e mais pessoal.

Quando leio a palavra história, percebo que ela não pode ser a breve descrição dos dados acimas, ou das nossas preferências. A nossa história é o que nos forma, é a nossa composição e ela é infinita.

O que vivemos, a família que nascemos, os valores que aprendemos, os problemas, o lugar ou o que estudamos, as viagens que fazemos, nossos amigos, as séries, filmes, livros, hq´s, tudo que consumimos, mas principalmente o que escolhemos fazer com tudo isso, são a composição desta história.

É a narrativa do nosso passado, presente e futuro. É o drama da própria vida como você a vê ou a joga fora.

Quando penso nas pessoas mais interessantes e talentosas que conheço, penso em sua história, não apenas no seu status. Me escute dizer: “Oh, ele é graduado em X”. Ou então ela é “Casada, vendedora e vive em New York”, ou “Estudando negócios na faculdade Y”. De verdade, qual é a relevância disso?

Percebi que o status é um momento estático e vem carregado de um punhado de rótulos, anexados a uma pessoa com base em algumas instituições ou padrões externos. Não transmite nada de realmente único que chegue ao núcleo, ou a força inspiradora por trás de suas ações e idéias. Não há paixão, tão pouco sentido e criatividade.

A nossa história é divertida, inesperada e animada. Eu mesma sou cheias de histórias que vivi no passado, que preciso contar para acreditar que se passaram de verdade comigo. É o arco narrativo de nossa vida, das nossas motivações, nossos objetivos, o que nos faz acordar pela manhã e o por que você faz o que faz.

Cheguei então ao que não é a resposta para a pergunta: Não é um resumo das realizações passadas ou mesmo das atividades atuais. Não é uma lista de hobbies. Se limitando a isso, podemos ser injustos com a grandeza das histórias das pessoas que passam pela nossa vida: Para te provar esta teoria fiz um exercício com um personagem bem conhecido para a maioria de nós: Forrest Gump.

Forrest, um homem comum do Alabama, com baixo QI, que possui dificuldades de aprendizagem e necessidades especiais de locomoção. Não parece a primeira vista, uma história de inspiração?

Agora olhe pela perspectiva da história: Uma história de superação, onde um garoto com problemas nas pernas, tendo dificuldades para se locomover, para aprender e estudar, é discriminado desde criança pela escola, e que através do amor de sua mãe vai enfrentar o mundo com todas as suas diferenças e sua consciência de que nada sabe além do mantra deixado pela querida mãe: “A vida é como uma caixa de bombons, você nunca sabe o que vai encontrar”

Forrest vai para a universidade como jogador de futebol, quebrando ai todas as previsões sobre ele, chega a conhecer o Presidente Kennedy, é convocado para a Guerra do Vietnam e salva alguns de seus companheiros após um bombardeamento dos inimigos. Vive o encerramento da guerra e torna-se um grande jogador de ping-pong […] Vive uma linda história com Jenny, com quem tem um filho, passa seus dias inspirando a todos com seus contos. Forrest é uma história sobre os vitoriosos desconhecidos, humildes, desengonçados e até esquisitos, que ultrapassam seus status!

Este exercício eu fiz comigo mesma e foi incrível, convido você a fazer o mesmo! Contraste seu status com a sua história, veja o poder inspirador e inesquecível que ela tem.

Garota que estudou letras: “Ela é a garota obcecada pelo jogo de palavras e desde a infância tem tentado ser uma conhecida escritora” ou Garoto com problemas de saúde: “Ele é o cara que deixou seu trabalho de mesa para escalar montanhas com os pés descalços porque estava tão cansado de todos os problemas de saúde”, ou formada em Desing de interiores: “Ela é a garota que está tentando descobrir como usar o design para melhorar o humor das pessoas”

Você está vivendo uma história.

O que é isso? Quanto mais cedo você parar de se definir por seu status, mais cedo você poderá detectar a bela narrativa que você está criando e comunicá-la aos outros, quem sabe até fazer a diferença na vida das pessoas que cruzam esta história cheia de heróis, desafios e superação!

A partir de agora, vou perguntar às pessoas quando as encontro, “Qual é a sua história?”