Otimista para 2016?

Sim ou não, é preciso refletir.

O ano de 2016 começou… com ele novos planos, novas ideias e novo fôlego. Mas será, que tudo isso se reflete em todas as esferas da nossa vida?

Iniciei esta reflexão levando em consideração o ambiente que estamos inseridos, não está fácil ser otimista, o momento do Brasil não é dos melhores, aquele sentimento de que as coisas vão dar certo, que vem pelo simples fato de um novo ano começar, não veio tão fácil desta vez. O nosso 2016 no Brasil não começa com boas notícias: na política, na economia, refletindo nas empresas, nos empregos, na violência e principalmente no nosso bolso.

Quanta notícia ruim eu pensei, então parei tudo e refiz minha reflexão. Fui analisar o meu individual, uhhh ai a história foi outra, eu tenho muitos planos positivos para 2016, vou me casar, quero fazer um viagem, se possível até começar um novo curso, pagar uma viagem para os meus pais, são inúmeras coisas.

Mas como posso realizar todos estes desejos em um ambiente pessimista como o descrito anteriormente?

Me lembrei de um vídeo que assisti no TED da pesquisadora Tali Sharot da universidade UCL (LONDON’S GLOBAL UNIVERSITY)

Tali realiza pesquisas neurocientíficas sobre o processo de otimismo. Ela afirma que temos a tendência em ser otimista com relação a nossa vida, aos nosso planos, nossos filhos, nosso emprego, mas somos pessimistas com relação aos nossos vizinhos, e ao destino do nosso país. (Para ver o vídeo completo, clique aqui)

A pesquisadora apresenta uma explicação neurológica do porquê nos comportamos desta forma, ser otimista diminui a ansiedade e o stress, é muito mais simples ter algum sentimento otimista dentro daquilo que eu possuo controle, já para questões coletivas o nosso controle é minimizado e isso traz angustia e sofrimento, portanto nosso cérebro tende a se esquivar.

Ela ainda apresenta uma ideia sobre expectativas, que eu compartilho, mas o ponto que quero trazer neste texto é o equilíbrio entre o mundo individual e o coletivo. O risco de um otimismo desenfreado, não baseado na realidade, pode trazer temporariamente um sentimento de satisfação e energia porém as frustrações podem ser devastadoras. Seguir esse modelo é mais comum do que se imagina.

Com essa preocupação que eu apresento o conceito do “Otimismo inteligente” de Maria Dolores Avia, Catedrática de Psicologia da Personalidade na Universidade Complutense de Madri, e escritora do livro “Otimismo Inteligente”. Este conceito tem bases na psicologia positiva. (Falaremos sobre ela, em outro momento)

Para Maria, não são poucas as pessoas que afirmam que o otimismo está vinculado à ignorância ou a “negação da realidade”, que os pessimistas apenas são realistas. Afirmam que o otimismo se concentra em ser feliz por ser feliz, fechando os olhos para a realidade.

No conceito de otimismo inteligente é preciso ir além disso, não se deve negar a realidade, muito pelo contrário, é preciso reconhecê-la, e escolher o otimismo como a forma de lidar com ela. Não é segurança nenhuma de que algo imprevisto possa acontecer, na nossa família, com o nosso emprego, mas é o como enfrentar o que vier.

São apresentados 3 pilares para o otimismo inteligente:

1 —Atitude de ação, é necessário mover a energia para fazer acontecer, e não para estagnação e murmurações de que tudo vai mal.

2 — Atitude de Mudança, apenas se adaptar já não é o suficiente, é preciso promover a mudança, inquietude e necessidade de ir além.

3 — Obrigação ética, quando você se nega a ser otimista, você nega a possibilidade de que as coisas podem melhorar, detendo as ações, e não é só isso, você está negando a possibilidade dos outros de melhoraram uma situação, que pode estar pior que a sua. Você é um formador de opinião.

O melhor do otimismo inteligente é que ele é uma atitude contagiosa, trocar ideias e atitudes podem fazer a diferença em 2016.

Não podemos mais nos contentar em negar a nossa realidade e esperar que tudo se resolva sozinho, temos um cenário difícil, que envolvem muitas questões, inclusive enraizadas na nossa cultura, mas nada irá mudar na nossa vida individual se o coletivo for um desastre.

É preciso cobrar e nos unirmos para impulsionar a mudança.

Neste fim de semana eu assisti um filme que se chama “Sob o Sol da Toscana” (é lindo, eu recomendo) que me inquietou.

“Entre a Áustria e a Itália, há uma parte dos Alpes chamada Semmering. É uma parte incrivelmente difícil de subir, muito alto das montanhas. Eles construíram um trilho nestes Alpes para ligar Viena e Veneza, mesmo antes de existir um trem que pudesse fazer a viagem. Mas eles construíram porque sabiam que, algum dia, o trem chegaria”

Devemos ser otimistas e construir o que neste momento não é visível aos olhos, trilhos e caminhos que ainda não podem ser de fato utilizados, mas que são uma aposta para o futuro, e é esta atitude que escolhi ter em 2016.

Farei o possível para ser um otimista inteligente, vou ler mais sobre o nosso cenário, quais são as alternativas para ele, vou buscar o que foi feito em outros países que passaram por coisas parecidas, se possível vou em busca de alternativas nada convencionais, mas irei impulsionar a ação.

Quem falar comigo, ouvirá sim o que for fato real, mas também vai ser contagiado pelo otimismo.

Há uma frase que eu gosto muito, que está no livro, 7 Hábitos de Pessoas Altamente Eficazes do Stephen Covey que diz “Algumas coisas são importantes, mas algumas são urgentes” eu vi urgência em direcionar meu otimismo para a inteligência aliando meus desejos pessoais e coletivos.

Convido você a fazer o mesmo em 2016!

Saúde e Paz!

O pessimista vê dificuldade em cada oportunidade; o otimista vê oportunidade em cada dificuldade. Winston Churchill
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