Pelo celular

“Você nunca mais vai precisar ligar para o 1–800-FLOWERS de novo”

Foi com essa promessa que Mark Zuckerberg, pai do Facebook, apresentou o Bots nesta semana, um serviço de atendimento automático de clientes do Messenger. A ideia é a seguinte: os clientes enviam uma mensagem para a Fan Page de uma empresa pedindo algum tipo de atendimento, e ele é feito imediatamente, sem interação “humana”. Basta que a empresa programe o Messenger para isso.

Esse formato de atendimento ao consumidor, automatizado e em tempo real, já existe em outras plataformas. O grande diferencial aqui é o alcance do Messenger: são 900 milhões de usuários no mundo.

Não, Zuckerberg não quer acabar com os 0800 ou com as centrais de atendimento ao cliente. O moço já percebeu que o futuro passa pelo celular. Está apenas adaptando sua grande criação aos próximos dias.

Dias movidos pela necessidade de conexão permanente. Por isso vivemos cada vez mais na web. No ano passado, pela primeira vez, o brasileiro gastou mais tempo usando a internet (4h59 por dia durante a semana) do que assistindo televisão (4h31), apontou a pesquisa de hábitos de mídia encomendada anualmente pela Secom da Presidência.

E se precisamos estar no mundo digital, o celular parece ter sido feito sob medida para isso. Cabe na mão, é portátil, quase um prolongamento dos usuários. Aqui no Brasil, pelo menos, internet e celular estão integrados. Dos 67 milhões de domicílios nacionais, 89,8% têm telefone celular, que só “perde” em presença para a TV aberta (97,1%), superando de longe, por exemplo, o rádio (72%).

Os dados, da Pesquisa Nacional de Amostragem de Domicílios (Pnad) do IBGE de 2014, mostram ainda que o celular já é a porta de entrada principal para a internet no Brasil. Em 80,4% das famílias brasileiras ‘conectadas’, o acesso é feito pelo telefone.

Comprar também tem se tornado cada vez mais comum via celular. Mesmo num mercado ainda conservador como o Brasil, as vendas via mobile aumentaram 137,8% em 2015 em relação ao ano anterior, apurou a Zanox em recente relatório.

Há quem que profetize uma substituição da tela média (TV) pela tela pequena (celular). A projeção pode ser um pouco ‘arrojada’, mas o fato é que há muito tempo esse equipamento eletrônico deixou de ser apenas um canal de conversa entre as pessoas. Com um ou dois cliques, o mundo está na ponta dos nossos dedos, e a grande questão que surge é: estamos preparados para isso?

89,8% dos domicílios brasileiros têm celular (IBGE/Pnad)
Show your support

Clapping shows how much you appreciated camila bini’s story.