Uma vez em Wintergreen,
No momento em pisei no trem eu senti que podia estar cometendo o maior erro da minha vida. Sim, deixar ele, que me fez a garota mais feliz do mundo por quatro dias seguidos. Ele que me fez os maiores clichês românticos possíveis. Ele com sua barba por fazer, seu cabelo comprido demais, seu rosto adolescente. Ele que tem namorada, ele que fica. Não pensava poder me apaixonar tão perdidamente, não imaginava conseguir me entregar tanto, não concebia sentir tanta falta, querer tanto um toque. Foram noites dividindo a mesma cama. Entre sussurros, abraços, beijos e carinhos muito respeito e confissões.Chega a ser engraçado lembrar que, somente após o primeiro encontro eu percebi que ele talvez merecesse uma chance. Depois daquela noite, em que ele não tentou encostar um dedo em mim, em que eu então conclui que ele não gostava de mim e que jamais trairia um relacionamento de quatro anos, eu soube que ele merecia um lugar especial em meu coração — para sempre. É conflitante estar apaixonada e não ter compaixão. É doloroso querer algo “proibido” e querer respeitar. Mesmo assim, os dias seguintes ao nosso encontro foram todos de expectativa. Eu reparei então que queria mais que amizade, mais que fantasia, queria um beijo, que fosse, um abraço de namorados; que queria sair com ele de novo. Com a chegada do dia dos namorados e uma bela surpresa eu senti que não podia sair daquela bendita montanha sem ao menos um beijo de recordação. Aceitei meu egoísmo. Aceitei até carregar aquele carma. Eu sentia que valeira a pena. Acontece que apesar dos meus quatro anos a mais de experiência, meu pudor e minha vergonha falaram mais alto. Tudo durou menos tempo do que eu gostaria; tudo se retardou só para deixar para o fim um gostinho de quero mais quase insuportável. Nossa última semana, nossos últimos dias juntos ali naquela montanha — e na verdade não sei por quanto tempo mais-, foram os melhores de minha vida. Foi o mais próximo que eu já senti de um carinho que aguenta tudo, de um carinho que vai lutar contra as barreiras e contra a distância entre nossos corpos. Meu amor, acho que é isso que chamam de saudade.